sexta-feira, 29 de junho de 2012

Era uma vez um fim


Sonhei
Como há muito não sonhava
Quando não acreditava
Assim que olhei pra você

Eu lutei
Contra o terror da madrugada
Tempestade em copo d'água
Contra a essência do meu ser

Quando achei que tudo estava em paz
Você diz não querer mais
E meu horizonte aos poucos se desfaz
Com teu rosto, se distanciando de mim
Não sei por que tá sendo assim
Pra mim início, e pra você um fim

Andei
Por lugares escondidos
Sem fazer nenhum ruído
Com medo do alvorecer

Eu achei
Um lugar pra retornar
Mas que se foi sem avisar
Se tudo entre nós morreu

Quando pensei que era meu teu sorrisinho
A rosa se tornou espinho
E a ferida me machucou sozinho
Como se fosse um outro final de mim
Era uma vez sem estopim
Um conto que se acaba assim...

Jefferson Procópio

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Situação


Procuro pela sua confirmação
Pelo ritmo dos batimentos do seu coração
Se está igual ao meu, se você pensa como eu
Se você vê meu olhar no apogeu

Procuro seu inconsciente
Para saber o primeiro pensamento da sua manhã
Se você escolhe confissões, se você perde a religião
Se, como eu, você procura a redenção

Procuro por respostas do destino
Se ele existe, ele me trouxe você
Pra ser justo, eu deveria agradecer
Pela chance de viver esse desatino

Caso não haja destino, está bem adequado o acaso
Procuro pra reverenciar, seja quem for
Quem nos fez assim, unidos pela casualidade
Obrigado, caro incógnito, por trazer de tão longe a felicidade de um anônimo

Procuro pela poesia perfeita
Que materialize seu sorriso, tenha o ar da tua graça
Mas não ligo, se entortar meus versos, se eu perder minhas palavras
Se não achar o que insisto em procurar, e ganhar você

Jefferson Procópio

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Falta


Falta luz
Mal posso sentir minha consciência
Enquanto me entorto, enquanto minha mente pira
Pira por segurar um último fio de desatino
Que não cessa, que precisa se quebrar

Mas e se eu for feito de vidro?
Já me senti assim: várias vezes, variáveis de você
Todos os dias me apaixono, me desapaixono
Você sempre me parte, desfragmenta
E eu permaneço, segurando o último fio de desatino

Falta pão
Esse pão de cada dia, feito pra dar forças
Pra curar mais que a fome, pra calibrar a insanidade
Sobra migalhas, migalhas que vêm de você
Vêm pelo vento, e chegam a mim
E eu me insisto em tentar me saciar com o tão agridoce nada

Mas e se eu quisesse morrer de fome?
Estou nessa greve há um bom tempo, afinal
A quantidade diminuta de atenção, de auto-atenção
É essa vontade de morrer de fome que me tira atenção de mim mesmo
E me concentra a você, a quando você dará mais um fragmento de ti
E eu me insisto em tentar me saciar com meu coração partido

Falta sonho
Vou sem paz me procurando onde não acho
Lugar pra mim, em seu mundo que me despacha
Que me deixa perdido, no universo que já foi meu
E foi remapeado, trocando também as fechaduras de cada porta de sua percepção

Mas e se eu não quisesse acordar desse pesadelo?
Se ele no fundo me deixasse com vontade de continuar caminhando
Eu posso estar atraído por esse naufrágio
Posso estar gostando de sofrimento, por vontade de não deixar nada morrer
Tudo pelo último fio de desatino

Eu vou nadar contra a maré, vou me banhar no orvalho
Vou me lavar, vou purificar minha alma
Vou versejar, até achar a resposta
Até me sentir resoluto
Até dizer que não falta mais nada
Até dizer que não me falta você

Jefferson Procópio

sábado, 16 de junho de 2012

Nós


    nós
    nós não
    nós tão
    nostalgia
          tal dia
          talvez um dia
Jefferson Procópio

terça-feira, 12 de junho de 2012

Coração Crás


Por que os meus versos estão tortos?
Por que os meus poetas estão mortos?
E a vida que outrora prometida
Não passou de uma fase esquecida?

Onde está minha cabeça nessa hora?
Pensa em versar para ti aqui e agora
Deitado atarefado ou no sofá
Escrevo tanto mas não sei o que pensar

E quanto ao luar antes tão bom de se olhar
Não me ama mais não me ama mais
Enquanto eu me entorto de tanto desabafar
Você trai você crás e vou sem paz

Eu tento por que tento tanto assim amenizar?
A dor do meu amor com a dor de poetizar
A bossa abstrata que se cria devagar
Acaba de vagar acaba de vagar de vagar

E os meus pensamentos que acabaram de vagar
Parecem em sua vida se deixarem hipnotizar
O que antes era meu e se foi sem avisar
Acabou de dizer pra eu me esquecer não vai voltar

Jefferson Procópio