Por que eu tenho que me levantar
Se por quem eu respiro há tanta presença?
Às seis, a manhã serenou em tão silêncio
E a persiana branca, aberta e esquecida, contrasta com a pele dela
Que me queima.
Segunda-feira, eu tô te odiando. Há tanto castigo de você pra mim!
Pra que a ressaca? Qual cruz eu carreguei? Qual espada me transpassou?
E a porra do chuveiro enguiçado que não ligou o ''inverno''.
E o taxista que quase atrasou.
Cada passo pra fora do quarto é um tropeço,
Cada pensamento é um soco. Por que me levantar?
Acordar e tirar a blusa dela pra ser chupado pelos seios.
Isso sim é convite pra passear! Parar na alma dela; entrar.
Faltou saúde pra sair. Sobrou embrulho no estômago
E um pensamento poesia que preciso vomitar.
No dia que eu me levantar e não precisar ir embora,
Vou ligar a vitrola. Será Alceu, pra comemorar.
Jefferson Procópio