Rechacemos a distância que traz dó, dor e dormência
Respirações nossas, a anos-luz de distância, latejam a querência e trazem frio ao agasalhado
Parte a nossa parte mais bonita em pedaços
Desculpas aceitas
Já que não se escuta a boca a pedir, percebe-se o coração a gritar
Ouve-se, morena, o muro de lamentações que tanto se tenta demolir
O muro entre nossos lábios, pintados com o seu batom
Sinto a sina, só saudade soa assim
Delírio mútuo de palavras que ainda nem da boca saíram. E hão de sair algum dia?
Vontade e luta contra o tempo que insiste em tentar deixar passar, em tentar deixar pra lá
Pequeno pecado
Frases no papel, longe de virarem telegrama
A carta na manga não é uma carta a ser enviada
Tampouco as frases conseguem diferenciar o quê dos quais, quases e poréns
Tem palavra demais, pra musa mais que demais, induzidamente endeusada
E belo seria, se o primeiro poema se tornasse frases ditas ao pé do ouvido
Quase que decola
Antes de palavras, antes de chegar a hora
Agora que a vontade aperta, se vê uma velha verdade, tinindo em nossos velhos olhos nus: o que importa não é o jeito de se merecer
Depois de tanto entrave, só é importante acontecer... decola?
Deus dos poetas, pequena oração: se uma outra estrofe a trouxesse pra cá, eu seria trovador de uma só poesia.
Jefferson Procópio