quarta-feira, 12 de setembro de 2018

tempo doutros tempos

dentro de mim
centro de mim
sinto e penso você

perto do fim que há tanto tempo ocorreu
longe do fim, mais ainda do início
todo esse tempo não esqueci nosso tempo
medito, me edito e reaprendo

me iludo e não me compreendo
ao decidir sobre o lembrar ou o esquecer
me atento e sempre tento
manter meus olhos abertos, falar com você

não me falta coragem, esta transborda
nada falta nem sobra ao certo
o mar anda calmo até demais
preciso me afetar com teu afeto

minha presença não se realiza na tua frente
é que cabeça e coração giram em uníssono
meu silêncio grita em mim a pedido seu

nossa trama


noções de ontem, hoje e amanhã confundem minha essência
como a ausência que persiste em caminhar ao meu lado
não sei se você é passado, caminho só de ida, partida
ou se aqui há os fios de prata de outras vidas

eu nunca te prometi que te daria o mundo
é que tava desmoronando aqui dentro de mim
fantasmas me iludindo a cada segundo
até que a brisa soprou, você se retirou e começou o fim

eu nunca fui de medir a métrica de um verso
me prometi ser universo desde que tive aí e te vi
resido no dualismo do copo meio-cheio-meio-vazio
me pergunto se nos meus sonhos é contigo que eu converso

nossa história sucedeu em cenas feito curtametragem
início, meio e final sem organização
a vertigem do seu toque, a verdade dos teus olhos me deram coragem
de mesmo só, navegar no oceano do meu coração

não sei se tu ainda pensas nessa nossa trama
é que o ontem reverberou e voltou à superfície
estranha história que ainda reside na entranha
e procura a cura a paz e a loucura

sei do vácuo enorme entre nossos corpos
distantes no labirinto dos caminhos da vida
e o que sinto, estamos castigando nossas almas
a rotina distrai e atrai os carmas

o nosso breve ontem pareceu eterno
leveza de uma chuva de verão
a falta da minha blusa me ensinou sobre o inverno
peso de chumbo no coração do besouro