quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

rios de história

rio que alegra a tarde,
fluido em lavar a alma.
querem lhe fazer barragem,
mudar seu curso, calma e drenagem.

rio doce era real, enchia o vale.
ontem a vale destruiu o rio doce.
a corrente dos afluentes
sujou-se da polpa dos influentes.

na serra da mantiqueira e do espinhaço,
a tragédia era anunciada, e repetiu-se.
interfere o minério
veloz nas cascas do rio casca.

o real é fruto da mudança,
as águas mudam quando tu se banhas.
o combate entre os contrários
reveza a tensão e o prioritário.

tu não entras duas vezes no mesmo rio,
já se tornaste outro, mudaste até o riso.
rio fluido carrega o reflexo,
e a matéria decomposta de Narciso.

mamãe oxum chora,
tenta limpar a água e a memória.
mas ninguém vai apagar essa marca,
quem que vai punir a samarco?

quem vai curar depressão em Mariana,
quem é capaz de reconstruir Bento?
quem é capaz de sentir o vento?
quem pode plantar essas sementes?

só queria me banhar no riso do profundo rio
das emoções da pedra preta, que me atravessam, e me sentir curado.
desaguar em seus oceanos, ir até o fundo.
velejar em nossos antepassados. 

eu te quero toda pra mim.
é assim desde que nasci.
conheci o nosso eterno.
choro os rios de nosso fim.

mamãe oxum, transborde a minha lágrima,
lava minha memória, rios de história.
nossa senhora, abençoe o tempo, e os horários.
seque a lágrima dos operários.
ouça a súplica oração desse povo.
e nos perdoe. de novo, e de novo, e de novo.

Jefferson Procópio

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

pérola pedra preta

por que pra se amar tendes a ser sozinha?
sinto, ao longe, seu abraço em seu próprio mundo
ainda flutuo por este abismo.
em projeções astrais, somos nós, somos um.
nas cenas reais, fomos ontem, pura luz.

entregue ao sono, mergulho imerso nos mares do bem querer,
e acordado, a maré avança e qualquer lugar é onde tento estar bem.
sonhe comigo esta noite.
contigo eu sonho de olhos abertos.

pela cura que trocamos, alívio imediato, medito.
corto a superfície do meu ser e navego em cada poro.
a intensidade da troca ainda reverbera.
momento curto e eterno,
perdi o medo de me conhecer quando a ti me apresentei.

lamento o inexplicável. pra abraçar a própria paz, soltaste minha mão.
sei que não foi por maldade, percebi seu ensejo em me ensinar a nadar.
as marés de nossos amares se divertiram no eixo da paixão. (e divergiram)
ainda tento ser o melhor de mim. (difícil sem o seu olhar)

a flor do seu perfume penetrou a minha essência,
sua existência e firmeza te eternizam e me atravessam,
pedra preta inabalável, coração de ostra, musa pérola,
por vezes me lembra que ser feliz é a resposta.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

O PESO DA PEDRA INERTE

O processo de produção de um sonho,
Alienação do trabalho sobreposta.
Itabirano, o operador da máquina minerária com o coração
pra encherem o vagão. Expropriaram o explosivo, implodiram a ilusão.

Minha infância, tempo de meu pai vestido de vale, em meu imaginário, herói.
Trinta-e-três anos de turno e insalubridade: mundo real, verdade dói.
Criou-se masoquista, orgulhoso do minério. Construtor dos caminhos
e vagões a setenta por hora.

Sinto tal herança mas não consigo carregar o mesmo sonho.
Em meu organismo, o devir do minério é indigestão.
Em meu lirismo, exploração é apocalipse.
Enganam a psique. anunciam o eclipse.

A pedra inerte no meio do caminho criou órbitas. Fundou o Brasil.
A ordem do progresso foi mentida: livros lidos ao contrário.
Nas bacias hidrográficas, o caminho se arrastou, a pedra se arrastou.
A lama vai devagar.

Vale a pena o sonho? (ou vale, a pena do sonho!)
Itabiranos na rota do minério tiram o ferro do sangue e das montanhas.
Diante da venda do medo e do domínio do plástico, me desprendo.
Sou flor irrompida e semeada no caos e na náusea.
Vivenciado e videnciado pelos gauches sonha-dores. Desde outrora até a aurora.

Como pode, nesta síndrome de perseguição e confusão da realidade,
onde itabiranos ditam o ritmo do quadrilátero ferrífero,
nesses vai-e-véns dos vinténs de valores míseros e irrisórios no câmbio,
esta flor crescer, concreta, e se multiplicar nas entrevias poéticas?

Mas como podem, na síndrome da alteração e esquecimento dos cartoes postais,
itabiranos entrarem nos ritmos desenfreados da linha férrea, e se atropelarem?
A memória itabirana descarrilou ao passo que tentou acompanhar o coração até o final.
Se esqueceu da barganha e da venda: ele para de pulsar ali, no bolso do patrão.

Itabira, seu patrimônio será tombado pois és seiva elaborada.
Alimenta a superfície do planeta e projeta telas, pesquisa e desenvolvimento.
Mas vê-se de longe a obsolescência programada.
Ciclo de vida em transição contrária: do etéreo, vai pro cemitério.

Visitas de amores distantes na terra do mato dentro não existem mais.
Combinado estava o passeio na praça,
mas a terra se transporta pra qualquer lugar longe de si.
Fatídicas relações de amor: antes de terminarem, já a sete palmos do chão.

Operário, não chore, não se demore. Não adore a dor.
Essa vertigem justificará a revolução dos afetos, sem armas, de seus netos.
Eles poderão ser médicos, inspirados pelos avôs cirurgiões
que, em sinestesia e sem anestesia, tiraram das almas o ferro, depositaram nos vagões. Nós somos os netos e netas!

Acabou a paciência da vila, e à sombra a última viagem,
correu estrada afora minas a vitória. Nada alcançou.
E respostas não encontrou pra pergunta que mantém viva a vida:
De que são feitos os sonhos?

"O ser humano é poeira de estrela", conclamam auto-ajudas por aí.
E itabiranos, nós, somos nós entrelaçados, poeiras férricas das poeiras cósmicas
que dão cor e gosto ao sangue, perpetuam o ciclo vida-morte-vida.
Sentimos mas não estancamos, a sangria. Pelo bem maior? Ou pelo mal da dívida?

Jefferson Procópio

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

da chegada da primavera

da chegada da primavera,
fênix fora do cinzeiro.
seu olhar residindo no meu,
seu cheiro no meu travesseiro.

calor irradia nossos corpos e caminhos,
precisamos caminhar com calma e devagar.
do contrário, sangue e suor e sumiço.
a brisa do eterno agora retorna: reencontro de almas é isso.

o solo, ao fim do inverno, transmutou minhas raízes.
descarrego toda mágoa do mundo, luz em minhas cicatrizes
refloresço, tão terno; te assisto pousar enquanto voa.
em bem querer, me fecundo. primaveras, esperem e verão.

a pele quente ao sol nos mostra: estamos vivos.
brilhos de afeto e recomeço amenizam o que foge aos olhos.
livros decerto antigos, psicografados, reencontro de marília e dirceu.
folhas em branco renascem, novas árvores, poemas, histórias. você e eu.



a triste alegoria de um samba alegre


Aos que presenciam o reencontro, nossas trocas de olhares.
Parece até fácil traduzir emoções em frases.
O ontem foi tão longo, mês passado nem te vi.
Nós damos esperança pros amantes que dançam nos bares.

A rotina me prende ao asfalto, a menina me faz falta.
Aprendo a lidar com a eternidade, a cabeça nos ares.
Longe de você tanto envelheço na cidade.
Quando topamos, rejuvenesço, breve encontro de cem anos.

Quem ouve este samba banhado em felicidade
Nem imagina a tristeza, elemento surpresa, o devir.
Sentir toda a ilusão, e toda carga do caminho
Amor nosso, flor nascida à tempestade, pouco espinho.

Cicatrizam nossas marcas, toda dor da despedida
Transmuta a incerteza, após a morte vem mais vida.
Do medo de não ter, do ciúme, do perder
Me desprendo. Hoje, eclipse, você vem, só quero estar.

A tristeza de compor o nosso fim, me decompor.
Início dessa história toda torta de poeta
Que procura pela musa que fugiu por entre os rios
e deságua... maré de nossos amares, oceanos, poesia renascemos.

Mesmo que eu me oponha com teu erro do adeus
Eu perdoo, vida segue, o que é certo ainda vive
Perdi a compostura com a ternura do seu oi meses depois
e o samba triste escondido em meu eu, gritei e sorri.

25 de outubro de 2018 20h52 cabei o poema valeuuu

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Trilhas do interminável adeus

No tempo presente,
Sou trem que não para,
Pressa rara, Pé na estrada.
Não exporto pro Japão as lembranças dos vagões.

Sigo em frente, movido por minha alma de vapor.
De tudo o que eu vi, vivi e senti,
Sou a sangria da montanha, coração férrico que tudo habita.
O amor me levou ao céu, mas pequei pelas juras.

Entre passado e presente, passo a passo, nem sempre consciente, sigo.
Na dimensão concreta do trem que transpassa e atravessa a realidade, envelheço.
Abastecido pelos vagões da memória que já descarrilaram no caminho, lamento as perdas.
E no infinito vasto que percorre em mim, ainda lhe sinto no estar da ausência.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

tempo doutros tempos

dentro de mim
centro de mim
sinto e penso você

perto do fim que há tanto tempo ocorreu
longe do fim, mais ainda do início
todo esse tempo não esqueci nosso tempo
medito, me edito e reaprendo

me iludo e não me compreendo
ao decidir sobre o lembrar ou o esquecer
me atento e sempre tento
manter meus olhos abertos, falar com você

não me falta coragem, esta transborda
nada falta nem sobra ao certo
o mar anda calmo até demais
preciso me afetar com teu afeto

minha presença não se realiza na tua frente
é que cabeça e coração giram em uníssono
meu silêncio grita em mim a pedido seu

nossa trama


noções de ontem, hoje e amanhã confundem minha essência
como a ausência que persiste em caminhar ao meu lado
não sei se você é passado, caminho só de ida, partida
ou se aqui há os fios de prata de outras vidas

eu nunca te prometi que te daria o mundo
é que tava desmoronando aqui dentro de mim
fantasmas me iludindo a cada segundo
até que a brisa soprou, você se retirou e começou o fim

eu nunca fui de medir a métrica de um verso
me prometi ser universo desde que tive aí e te vi
resido no dualismo do copo meio-cheio-meio-vazio
me pergunto se nos meus sonhos é contigo que eu converso

nossa história sucedeu em cenas feito curtametragem
início, meio e final sem organização
a vertigem do seu toque, a verdade dos teus olhos me deram coragem
de mesmo só, navegar no oceano do meu coração

não sei se tu ainda pensas nessa nossa trama
é que o ontem reverberou e voltou à superfície
estranha história que ainda reside na entranha
e procura a cura a paz e a loucura

sei do vácuo enorme entre nossos corpos
distantes no labirinto dos caminhos da vida
e o que sinto, estamos castigando nossas almas
a rotina distrai e atrai os carmas

o nosso breve ontem pareceu eterno
leveza de uma chuva de verão
a falta da minha blusa me ensinou sobre o inverno
peso de chumbo no coração do besouro

domingo, 26 de agosto de 2018

Imperfeitos ímpar feitos

Musa invisível, presente na partida,
Sou seu poeta visível e risível.
Imagem tua que me coragem
De encontrar, no céu, a estrela renascida.

Dona do luar, o mar dança só pra ti.
Gravidade é mistério: tão quanto essa impressão etérea,
Vou e voo por ti, mas não posso sair do chão.
Hoje é aqui e agora; no passado, vidas e planos, em outros planos; ao futuro, deixo pra outrora.

De longe vi os bosques de seu caminho.
O cheiro de seu perfume que se torna jardim e se mistura às flores.
Senti e transmutei: mistério seu que tambem é meu, que me faz sentido.
Me transpasse novamente pelo portal dos seus olhos.

Me mostre o mundo de seus sonhos.
Tua beleza presente, o coração pressente:
Reflexo vira matéria, e sonhos, realidade.
Corpos fechados, verdade na mente, coração aberto: ressonância.

Não solte da minha mão. Não ceda tão cedo à aleatoriedade.
Se somos tão imperfeitos, ímpar feitos, fadados ao erro,
Tanto faz: podemos ser par ou ímpar. Ser um só, nós dois, ou três.
Uno versos ao universo e agradeço: eu consigo te ver.

O defeito mostrou suas caras.
O erro cobrou caro e mostrou suas caras.
A ilusão escondeu suas caras.
Perderam o jogo.

sábado, 11 de agosto de 2018

Melancólico

Eu reconheço em seu espaço e aqui dentro, oh, maior musa.
Desorbitada e orientada em si mesma, aponta por todo o meu ser,
Berço do meu afeto.
Destruição dos meus sonhos, que nunca morreram.
Sonhos que permanecem. Vida que continua.
Retratada e eternizada pela extrusão do poeta maior que ouviu sua ofegação, respirou seu ar,
E se asfixiou.
Que te sentiu mulher enquanto ainda éramos meninos.
Mergulhar em seu sagrado feminino.
Não entendo esse trem que sinto.
Vagões de um trem que buzina pra todos ouvirem: são corações. Ora cheios, ora vazios.
A mesma marca.
Trilhos infindos e trens que vão e vêm. Somem e reaparecem no caminho.
Feito tu, munida de verde ao redor da pupila, luz néon de serenidade.
Batom vermelho, imaginário,
Minha vontade de transcender Ágape,
E por Eros, erotizar.
Nunca saíram, da minha trilha, os tons etéreos
da tua imagem, de teu reflexo, nem de meus versos.
Sua presença, sua pré-ausência, anúncio.
Durante a ausência, assenti e a senti. Premeditado por Drummond: ausência sempre está.
Mas quando tu estás aqui, e quando eu estou aí: nós sem amarras.
Fonte de devir! À musa me refiro e me misturo.
Quero navegar nestes mares de fertilidade, ser gozo e dádiva ao que lhe dá vida e lhe sangra.
Quero me limpar com sua pureza. Me sujar com seu tesão. E vice-versa.
Transmissão e troca de pensamentos.
Quero estar contigo sozinho e nu e cru.
Sentir a matéria. Pernas compridas e macias.
Me aterrar e enterrar em suas covinhas. Terra.
Bacias. Sua hidrografia.
Vulcão. Seu valor, calor, fogo.
Ar. Sopro de vida nas nossas faces.
Fazer as pazes com a saúde e a saudade.
Nossos olhos e corpos se chamam.
E como isso é chamado?
Jefferson Procópio
~Ai que vergonha~

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Alquimia de Itabira

... Ei, olha tu,
Tu que me chama de sol,
Tu que se queima de solidão,
Sou a sombra que te lombra,
Holofote que te cega,
Sai do desfile, para de furar fila,
Respeito aos arquipélagos pra eu colar com minha ilha.
Vai pro embate, combata na batalha e no debate.
Vida segue, e as nota,
Nós não quer contar, nós só quer multiplicar!

POW

Reflito no aflito do conflito que eu provoquei.
Miséria de privilégio, vitória-régia não sei reger.
Dizem que o crime não oprime o discriminado,
Esse marco só especula a impunidade que demarca a Samarco.

No meu eixo eu não deixo lixo espacial entrar em órbita,
Ligo a espiral, sou especial, óbito da estrela morta,
Reação em cadeia, incendeia a missão supernova.
Seletiva coleta do resto que se transmuta e transvive.

Panaceia universal, fibra moral,
Filosofal da pedra que se mostra nos vagões.
Escavadeira Vale explora sonhos, horários, turnos e operários.
Caminhos abrem e fecham por cifrões, reduziram mais salário.

Nem sei se eu to legal, eu pensei e tal, se reseto ou recomeço.
Naquilo que ela disse que eu errei... que embaraço.
Mas não me esqueço o que sinto, analisei e ainda processo,
Não saio ileso mas o preço caro da saudade, quero pagar com um abraço.

Da minha barriga sou o rei,
Poesias que conflitam com o que tem ao redor,
Nas matas, milho, veneno, auto-genocídio,
O cerrado perdeu saúde e deixou saudade.

Falaram merda, fecharam a cara, raiva, nasceu narciso.
Verso livre pelo livro com discurso indireto livre,
Analisa aquela pesquisa que gentrifica as quebrada.
Gentrifica, e o povo que fica, ignora as parada.

Fluidez dos meus rios ao lembrar daquele riso,
Campainha da chegada da superação.
Super homem mergulhador da quarta dimensão,
Pra acessar a louca cura o tempo espera integração.

De Itabira, a pedra brilha, reflexo da mineração,
Entre vias há poéticas do território,
Tratam o retrato na parede como a mais doce memória
Do antigo cartão postal desconstituído da história.

Chorar saudade ao contrário, cansei de fazer soneto,
Te chamo pra um dueto, um frevo no seu horário.
Nos mistérios deste planeta, senti a sua idade.
Em nós ancestralidade, acesso em gaveta a luz de Tieta.

Desculpa meu coração pra eu desculpar minha memória,
Pela certeza que sentir o que pensa é a matéria,
Sem tempo e desnorteado, esquece o ferro e respira o etéreo,
Pra que todo coletivo celebre seu horizonte e sua glória.

Da propagação do som da minha garganta eu me orgulho,
Propaga o mergulho na colcha de retalho que me emenda,
Itabirano, mora, morre e suicida em tanto bairro,
Removeram mais um indigente, especularam, lotearam a encomenda.

E ao fim, tudo devastado.

Vendaval vandalizado,
Grão de areia na praia,
Água mansa nas raias das marés,
Corro com fogo nos meus pés.

Itabirano abre a porta,
Reúne tudo o que importa,
Todo o tesouro quadrilátero, vintém.
Manda embora todo esse trem!

Este modal não tá na moda,
Ferroviário só exporta,
Cenários da cidade morta,
Que vive em se repartir.

Jefferson Procópio

quinta-feira, 31 de maio de 2018

old facts

the surface of life drags me down to my purple deep melancholy.
i'm unable to be chronical, every breath I take for you reacts to my suffocated anguish.
i can only be thankful for all your presence, while the air of my garden matched to your flying.
you will always be the daughter of freedom, while I'm faded to be the owner of my prison.
i'm that full abscence you felt before you leave me. you can't explain why, neither do I.
not a single thing can take out the true illusion of love from my aura.
but i insist, with hope, i'm walking to meet the truth.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

KEEPING ON

All this time, they tried to fool me

Confusing my soul.

Consuming my body.

Breaking my rules imposing theirs.

Erasing my sight.

To perpetuate instantaneous liquid pleasures.

For their own ego's sake.

All of those people, those vampire eyes

Did the best of worse trying to fade away the expression of love.

They abused my youth, my innocence, my curious way to roll the deep.

I was growing, you only transmutated my will of experience in lies

But I resist on this unsure sea of emotions.

My self-love found home inside me.


And I keep on, resilient.


Karine Oliveira, Jefferson Procópio

domingo, 15 de abril de 2018

n a t u r e z a

o outono
nos meus
olhos
diz
que o verão
ardeu
doeu
já deu.

folhas
que secam
seivas
que caem
após tanto
refletir
a luz do sol
deixa transbordar
.
processos
nas raízes,
expurgos;
do fundo
de meu
mundo, sinto
o etéreo.

eu
sou
árvore
que fecha
os olhos
e se (si)
prepara
(para)
o inverno.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

rascunho pra tentar entender

se você entrasse em contato com minha verdade,
se eu entrasse em contato com minha verdade,
se as ilusões do quase-amor fossem verdade,
o meu sono seria profundo e acalentador.
o meu inconsciente seria grato em viver esse transe magnético.

mas eu prefiro meus olhos abertos.
a vida machuca, a dor é boa.
eu, a dor, da dor adorador.
pode ir embora, leve seus olhos pra longe,
enquanto eu fecho os meus.

reunião,
união,
universo,
unir versos.

ruptura,
yin distância yang,
infinito,
não era nada. mas ouvia-se a pulsação.

jefferson procopio

calor latente

chama interna que novamente incendiou o ser.
chamado, anos atrás, tempo e máscaras.
ardo continuamente,
árduo, contigo na mente.
ilusão-desilusão... antiga cantiga.

tanto sentido faz este tempo presente.
tenho pensado no que meu coração sente.
às vezes, entendo; noutras, fogaréu.
o fogo, pelo ar, se alastra.
a razão se afasta.

o romance entre nós em minha vida. astral,
sol que tudo rege, e ainda deseja se unificar com a lua na noite,
lua que reflete o sol e dele se ilumina.
meu ser que se perde da lua na claridade do dia,
se recobra em flerte curto, melancólico, ao crepúsculo.
lapso de momento que se eterniza, verde no verde, enquanto se esvai.

na real, não sei o que houve ao redor.
tentei proferir uma frase, gargantas fechadas em nós.
tentei carregar meus amigos, tentei carregar meus amores,
mas a pulsação estava baixa.
amigos e amores fugiram de mim.
amores amigos morreram em meus braços.

tentei me envolver: ardor e fogo na vida da fênix.
pelo ímpeto da paixão, o espírito se arrebatou.
projetou-se às irreais alternativas de alteridade de corações. urgiu e fugiu.
saio sozinho com a solidão pra viver a dor. solidão que dança comigo e levanta poeira leve.
amores e amigos morreram nos meus abraços.

me lembro do ferimento, fenômeno de envelhecimento,
cada poro preparado pro veneno.
minha vontade de unificar sol e lua é vício ou virtude?

minha sangria é oceano,
maré viva vibra à lua,
há lua na pedra da lua?
meu mar flui e eu escrevo.
a ausência da lua sob a presença da emoção envelhece o sol.

não queria desviar o olhar. estupidez minha.
mas, ao menos estes verdes olhos secos,
cansados do tempo e do engano, sentindo o outono,
vez e outra externaliza e transborda: dá vida à dádiva.
meus olhos, janela minh'alma; teus olhos, tua alma,
relances e trocas. memória. vontade.

fez-me total sentido querer entrar em transe.
lua na mesma proporção, mesmo brilho, diferentes fases,
ao universo, crescente está a lua, na minha vida, minguante.
lua cheia de devir, lua nova no papel em branco que insisto em querer escrever.
calor sempre latente.

o sol não pode viver perto da lua?

a lua  na base da liberdade, pode escolher viver em seu oculto lado escuro,
oculto lado, sombra que o sol não alcança,
escura chama que clama em ser mistério do invisível.

lua foge da realidade do dia.
só não pode fugir dos meus olhos,
da minha observação,
da minha exaltação,
da súbita palpitação de meu coração.

mas, por que orbitas tão longe?



jefferson procópio
09/04/2018

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Loba

Pra quem faz uso da vida sem receita e sem recurso.
E caminha, pra se construir e se fazer e refazer, em fluxo,
Sem discurso, meio confuso, quase escuso.
Menina loba, riso bala de prata, me deixou boba.

Quem carrega, no olhar, cotidiano.
Contido, na flecha dos olhos tudo o que viveu e viu de vil.
Alegrias e tristezas, põe na mesa, e só oferece sorrisos.
A vivência e a incerteza, irmãs siamesas.

Há de mirar e admirar a forma viva de ser teatro.
Fazer arte como ato, com tudo o que sentiu lá fora,
Sem textos nem ensaios. Só se tem o aqui e o agora.
Dançar pro medo pra perder o medo.

O feelin desfragmenta na ponta dos dedos e apita na glândula pineal.
Mais que definir, é ser, quando pode, quando não, o que é.
Lobo que não é mau,
Crônica em forma de mulher.

Jefferson Procópio
01/01/2017

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

pranonimato

doideira de leve não é doideira, é brincadeira, de modo meio caótico de brim, ou jeans, ou sem nada, tamo de brincadeira, e é sério, cedo ou na madrugada. tira a roupa, fica descalça. ou veste uma blusa e me embaça. posso tirar seu sutiã antes da blusa, da alça. senta na cadeira, e a si sinta. isso soou erótico. que ótimo. aptidão up te dão quando a tensão perde a letra enésima e a rima perde a métrica, e a estrofe fica péssima. não precisa ser agora a hora da mina me dar. vou fazer valer. não que nem a Vale, que detona Conceição, Paciência, fundão, o centro, o Bento. não sou barragem, mas às vezes, rejeito. na maioria, a mim mesmo. e a esmo. deixa ela ver como vai dar, deixa ela se dar, enquanto eu cedo me sedo. mas tanto demora pra eu fazer a bola rolar que ela desiste... e se eu triste olhar pra trás? por que esse erro persiste? Foda-se. no mais tardar, ou menos, ela vai se molhar mas se ela se der, ela vai se dar. se ela me der, vai ser no mais tardar. quero antes ver eclipse, pensamentos, preliminar. não faço direito, sou destro de esquerda, mas vou tentar. só continuo se ela me contar, nua, suas nuances, sua vida e seus antes; seus sentimentos durante. pra depois me assistir chupar. devolvo a palavra pra boca dela, pode se lambuzar. do que quiser, do pau, do pique, do baque, do chilique. eu só quero te querer mais. e não me queira menos por tentar ser menos. esse poema vai pra anônima, pro anonimato. pra liberdade em livre idade na escrava cidade em alguma parte. pra não me matar, senão mãe me mata. deixa eu morrer nesse tesão. e me faz gozar. te sinto nua e sei que meu verso te insinua. eu te assusto e alivio, mordo e assopro, e retribuo. com retroativo.