quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Poevida




Se mais poesia, mais vida?
Lá se vão e se eternizam, para a musa, para o mundo...
Grande sentido tem palavras para frases parafraseadas

Sem rascunhos nem ensaios pra proteger ou medir ações
Sempre assuntos e delírios pra me mexer e tentar a paz
Busca pela paz... qualé o sentido?

Olhar pro horizonte, espelhos distorcendo o caminho
Três estradas: rios flores e espinhos
Pra onde eu for... me acompanhe, clemente lirismo

Captada mensagem, uma e um da madrugada
Sou o último da fila, recostado em parede gelada
Tudo conquistado?... vá saber, só sei que pulou o muro e cruzou a ponte

Cá pra frente, no futuro: musa? perdido? renascimento? a paz?
Quem se importa, já que nascida foi a poesia pós-porrada
Contradição... após as cinzas, se formou uma chama

Jefferson Procópio

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Novos antigos horizontes

Conto meus passos rumo ao meu futuro
Vejo os espaços vazios dentro do meu coração
Andando em círculos, caminho antigo e reconstruído
Acho que é preciso, uma rota, uma linha, uma impulsão

Epifanias entrando em meu mundo
Nas marcas fracas, cicatrizadas por plena emoção
Silêncio eterno, tentativa de adivinhação
Da maneira que vai, a trilha tem um final?

Catapulta leve, livre e solta
Me leve daqui, me jogue acima do muro
No mundo dela, mesmo que esteja escuro
Meus olhos brilham, e lá as coisas se iluminarão

Quero uma forma minha que se encaixe a seu sussurro
Uma expressão ensaiada no espelho pra te encarar e fazer alusão
Aos dias frios, aos cafés quentes, à pernas roçando
Ponte segura, ou passarela pra minha ilusão?

Delírio linear, há muito mais com que se preocupar
Não é só o amor que pode me livrar da minha própria prisão
Há outros temas, outras poesias, outros caminhos
Que me esperam, me inspiram, me alucinam

Novos antigos horizontes que se cruzam
Todos os ciclos se encerram e se misturam num caldeirão
Em que minha vida está exposta, sem segredo
E o segredo é que minha vida é indefinição (poesia)

Jefferson Procópio

sábado, 17 de novembro de 2012

Vida desmedida


Voe
Vá pra vida vadiar, vá encontrar o seu lugar
Veja o muro, é pra pular
Pra onde valha a pena passear

Corra
Faça o possível pra não se esconder, mostre seu sorriso, a saída pra entreter
Ficar guardando o coração numa caixa... pra quê?
Se o importante é voar, é tentar, é viver

Sorria
Mostre a todos que não está nem aí, que de dificuldade é simples de se sair
Já que é o erro e a vida que nos faz descobrir
O que é certo, o que é bom, o que nos faz feliz

Tente
Acorde e acenda o seu farol, cobre do mundo o seu melhor
Veja quem te quer ao redor, pra te impedir de se sentir só
Pra melhorar o momento pior

Relaxe
Aprenda que é preciso passar
Por momentos difíceis pra perceber
Que existe todo um mundo pra discernir
E que não é preciso fazer isso só
Porque você tem a mim, e ao infinito céu azul

Jefferson Procópio

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Pequeno pecado

Pequeno pecado
Rechacemos a distância que traz dó, dor e dormência
Respirações nossas, a anos-luz de distância, latejam a querência e trazem frio ao agasalhado
Parte a nossa parte mais bonita em pedaços

Desculpas aceitas
Já que não se escuta a boca a pedir, percebe-se o coração a gritar
Ouve-se, morena, o muro de lamentações que tanto se tenta demolir
O muro entre nossos lábios, pintados com o seu batom
Sinto a sina, só saudade soa assim
Delírio mútuo de palavras que ainda nem da boca saíram. E hão de sair algum dia?
Vontade e luta contra o tempo que insiste em tentar deixar passar, em tentar deixar pra lá

Pequeno pecado
Frases no papel, longe de virarem telegrama
A carta na manga não é uma carta a ser enviada
Tampouco as frases conseguem diferenciar o quê dos quais, quases e poréns
Tem palavra demais, pra musa mais que demais, induzidamente endeusada
E belo seria, se o primeiro poema se tornasse frases ditas ao pé do ouvido

Quase que decola
Antes de palavras, antes de chegar a hora
Agora que a vontade aperta, se vê uma velha verdade, tinindo em nossos velhos olhos nus: o que importa não é o jeito de se merecer
Depois de tanto entrave, só é importante acontecer... decola?

Deus dos poetas, pequena oração: se uma outra estrofe a trouxesse pra cá, eu seria trovador de uma só poesia.


Jefferson Procópio

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

impasse


quero dizer adeus... aqui mais uma vez
por todas as coisas que a gente não fez
segurar. esticar a ponta do barbante e equilibrar-se
tentei. tão difícil foi aguentar o peso. e te encarar face a face

se houvesse indícios, se a gente se amasse
não nos perderíamos assim tão logo, no início da frase
eu. que sempre fui, que sempre achei ser bom ser tão cortês
cedi. até que chegamos ao ponto que envelhecemos cem anos em nosso último mês

por mais que a dor faça com que meu coração escasse
mesmo que a primavera deixe de lado o gosto francês
o foco. o coração do poeta, frente ao atemporal, revigora e renasce
perdi. mas se refaz intacto e se joga ao alto, pra talvez outra vez se partir em três

deixo o rosto de lado, pra não ver a nitidez
de algo que já foi, antes de realizar-se
até agora. mudo o semblante e a direção, achei outra estratégia no xadrez
nada achei. mas me agarrarei nesse caminho, sem dar chance nenhuma ao quase

segurar tentei
eu cedi
o foco perdi
até agora nada achei

Jefferson Procópio

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Musa


Musa
Me usa, desusa e abusa
Que me joga ao vento e me tira o ar
Deixa o seu perfume pra poesia despertar

Alada
Não toca o chão
Que idealizada, é elevada deusa
Anjo que guia em silêncio nossos destinos cruzados
Que me leva à luz, me tirando da escuridão

Rasa
Rosa de fino trato que é regada a cada letra
Planície dominante do meu rasteiro coração
Olhos rasos de água, verdes como o mar
Desprovidos de mágoa, com medo de magoar

Abusa
Vende amor barato pra aumentar demanda
Vicia o coração do poeta e depois se manda
Se faz de traiçoeira pra ganhar eternização
Faz de tudo, leva meu mundo, porque sabe que é a musa

Chora
Traz temporal em chuva de verão
Sorrindo faz passarinho voar baixinho em tarde de primavera
Abraço intocável que aquece as noites de inverno
Faz das folhas caídas do outono, papel pra rabiscar, pra eternizar pra musa

Jefferson Procópio

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Amar Amargurado


Vontade daquele amor antigo
Amor machucado
Só pra se ouvir dizer que ama
O presente é vazio, terra de ninguém
Se torna torto, se esvai e se engana
Amor, amar, amordaçado, amor amargurado

Enfrentar fases de vida tão distintas, tão reflexões pós-sorrisos
Sufocar-se com a diferença de fases tão nítida
Se ama mais quando não há mais ninguém pra amar
Se fala mais de amor quando ele não mais existe
Quando se deita e só se sente o vazio e o travesseiro

São versos que choram, gritam e se sacodem
Em estrofes que procuram um caminho, uma busca, um legado
Um caminho em paz
De um poema que se eterniza para o nada, para o ar, para nadar
E quer encontrar a deusa do vento, do sorriso, da razão
Que sente medo de acabar na terra de ninguém

A cada rua, uma esquina
A cada esquina, uma musa
Faço um mar com os olhos, coleciono oceanos
Ofereço um poema machucado, um poeta machucado
Um lado inspirado, um pirado desolado
Em troca de um desconhecido amor

Jefferson Procópio

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Síntese


Complexo e compacto.
Mente aberta e retrocesso.
Computado e submerso.
Completo e intacto.

Complexo e compacto.
Vem inato e sem nexo.
E ao analisar o sistema.
Toma conta do processo.

Retrocesso e mente aberta.
Reflexo subconsciente.
Vem e sobe de repente.
Se torna a palavra certa.

Computado e submerso.
Minha musa, meu verso.
Te invento, existência à parte.
Te eternizo, pra admirar-te.

Completo e intacto.
Do seu choro, eu passei perto.
Ao ver que me tornei, assim incerto.
Poeta que não se cala ao juntar caco.

Jefferson Procópio

domingo, 2 de setembro de 2012

Ali

Tá aí, se eu me entrego a você
Assim tão rápido, não sei o que devo fazer
Suspendo a bebida? ou deixo o dedo na ferida?
Dou a minha vida? pelo prazer dessa mercê

Tá aí, se eu espero por você
Parado bem ali, nossas conversas eu tentando entender
São tão fortes, a ponto de eu construir?
Um castelo de palavras pra poder nos unir

Tá aí, se eu eternizo você
No poema da minha vida, sem você, musa, saber
Que já me deu calafrios, já me deu idealização
E que o gelo da madrugada, é lareira pra meu coração

Jefferson Procópio

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Entreter-se por não ter

Artifício: arte e ofício
Poema liso, arte artificial
Partes simétricas sem um ponto igual
Delírios em amar-te, com final sem ter início

Expressão: palavreado sem pronunciação
De dez, sete se perdem e se jogam por aí
Te convencer com meus batimentos a cada segundo
A cada fração, centioitenta batidas se aceleram a centioitenta por hora

Entretenimento: escrita e lamento
Sentir a lástima prantear as palavras
Laços tentando se reerguerem, no desespero dos poetas
Crasso erro, pedaço de esperança, do profeta das indiretas

Destino: desatino de menino
O que para e pira a mente
O tempo apaga, de repente
Se desata, sem dizer que está se esvaindo

Despedida: dor sem vida
Que antes doce vida, se amarga com a partida
De algo que se foi, que morreu
Sem antes dizer se já foi meu

Jefferson Procópio

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Só um



Chega o momento que se jogar ao relento não é desabar
Que esse sereno vira cobertor e copo de chá
Se misturam orvalho e lágrima, molham a calçada
Se fazem um só, evaporam e viram nada

Os estragos da noite, na estrada da vida
Trazidos comigo, com o dedo na ferida
Chega a chuva, temporal, e a rua se banha
Estrada da vida, estragos da noite, se fazem só um

Eu sou a chuva, você o sol, eu pensando em sermos um só
Arco-íris aparece, colorido, alimenta o meu relento
Lágrimas descem, doce vida, transbordando meu rio e meu lamento
No vale da vida, no meio da rua, você o sol, eu o estrago da noite

Jefferson Procópio

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Conferência
















Sinto minha sina ao tentar saber
Quanto ao sino que nos uniu e nos fez nos conhecer
Se criou nosso mundo, se clama por nossa chama
Se a distância se engana, quando chega em nosso encontro na estrada

Sinto a falta daquele afago sem pretensão
Que lhe tirava a tensão, sorrisos e clarão
Quando a calma tanto queria o seu lugar
Virava sombra, pra eu tirar escombro do teu coração

Quatro mil anos, dúvida de quatro cabeças
E minha insanidade chega por não dar bandeira
Não disfarço mais o olhar, nem desfaço o que eu quero falar
Mas me encalço quando caço ao longe sua voz em meio à cegueira

Jefferson Procópio

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Choque

Faça uma prece, se apresse
Tempo vai, voa e vem
Pego em cheque, em estado de choque
Se esquecem do hoje pra tentar o amanhã

Luta contra o lema oposto
Se unindo sem ver rosto, pra promover desunião
Se mais perto da guerra, mais longe de si
Quando a sede de sangue acaba com sua prece

Se o erro te faz herege
Quando se mirava o acerto
É bala perdida, baque no ponto escuro
De tanto buscar o perfeito, o efeito fez o defeito

Jefferson Procópio

quinta-feira, 19 de julho de 2012

A lua na minha vida




Quando lua, na minha vida chegou
Muro de berlim, bem em mim, desabou

O que antes era tão assim, tão terrível
Veio em calma, que a alma bem suplicou

Assim que a lua, no findar da tarde

Brilhou, unindo-se aos sóis dos sete mares
A meia-noite desse amor me avisou
Só quer noite, não quer ver manhã chegar

E eis que a lua na minha vida, se pôs

Foi e deixou o sol, sozinho em imensidão
E indecisão, se terá eclipse depois

Se a lua em minha arte, volta a alegrar-se

Brilho belo, a lua cheia renasce
Lua bela, lua na passarela


Jefferson Procópio

terça-feira, 10 de julho de 2012

Jornada

Se escrever pra você
Fosse ganhar um beijo seu
Esse poema não teria fim
E eu teria um final feliz

A vida vai revelar
O que eu tanto escondi
Pra você não se assustar
Nem esconder esse sorriso de mim

Estrofes pela sua mão
Versos por uma ligação
Poeta torto e crucificado
Pelo toque do seu olhar

Agora que eu te eternizei
Musa minha tão sem fim
Não sei o que vai acontecer
Deixo pra ti uma dúvida em mim

Jefferson Procópio

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Mundo

Se o mundo é da maneira que dizem por aí
Eu vivo aqui, no meu mundo paralelo
Fazendo as coisas do meu jeito, sendo feliz
Com a doce ilusão de que eu só vejo sorrisos

Meio desespero, meio alívio
Meu desabafo é meu grito silencioso
Mando a multidão pra longe, onde todo mundo é ilha
Estou sem fronteiras, então tchau! mundo tedioso

O mundo julga, faz da gente, criminoso
Não acredita no álibi do nosso olhar
Já fiz as malas, vou partir sem retornar
Sem me esconder, pro paraíso reinventado

Jefferson Procópio

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Era uma vez um fim


Sonhei
Como há muito não sonhava
Quando não acreditava
Assim que olhei pra você

Eu lutei
Contra o terror da madrugada
Tempestade em copo d'água
Contra a essência do meu ser

Quando achei que tudo estava em paz
Você diz não querer mais
E meu horizonte aos poucos se desfaz
Com teu rosto, se distanciando de mim
Não sei por que tá sendo assim
Pra mim início, e pra você um fim

Andei
Por lugares escondidos
Sem fazer nenhum ruído
Com medo do alvorecer

Eu achei
Um lugar pra retornar
Mas que se foi sem avisar
Se tudo entre nós morreu

Quando pensei que era meu teu sorrisinho
A rosa se tornou espinho
E a ferida me machucou sozinho
Como se fosse um outro final de mim
Era uma vez sem estopim
Um conto que se acaba assim...

Jefferson Procópio

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Situação


Procuro pela sua confirmação
Pelo ritmo dos batimentos do seu coração
Se está igual ao meu, se você pensa como eu
Se você vê meu olhar no apogeu

Procuro seu inconsciente
Para saber o primeiro pensamento da sua manhã
Se você escolhe confissões, se você perde a religião
Se, como eu, você procura a redenção

Procuro por respostas do destino
Se ele existe, ele me trouxe você
Pra ser justo, eu deveria agradecer
Pela chance de viver esse desatino

Caso não haja destino, está bem adequado o acaso
Procuro pra reverenciar, seja quem for
Quem nos fez assim, unidos pela casualidade
Obrigado, caro incógnito, por trazer de tão longe a felicidade de um anônimo

Procuro pela poesia perfeita
Que materialize seu sorriso, tenha o ar da tua graça
Mas não ligo, se entortar meus versos, se eu perder minhas palavras
Se não achar o que insisto em procurar, e ganhar você

Jefferson Procópio

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Falta


Falta luz
Mal posso sentir minha consciência
Enquanto me entorto, enquanto minha mente pira
Pira por segurar um último fio de desatino
Que não cessa, que precisa se quebrar

Mas e se eu for feito de vidro?
Já me senti assim: várias vezes, variáveis de você
Todos os dias me apaixono, me desapaixono
Você sempre me parte, desfragmenta
E eu permaneço, segurando o último fio de desatino

Falta pão
Esse pão de cada dia, feito pra dar forças
Pra curar mais que a fome, pra calibrar a insanidade
Sobra migalhas, migalhas que vêm de você
Vêm pelo vento, e chegam a mim
E eu me insisto em tentar me saciar com o tão agridoce nada

Mas e se eu quisesse morrer de fome?
Estou nessa greve há um bom tempo, afinal
A quantidade diminuta de atenção, de auto-atenção
É essa vontade de morrer de fome que me tira atenção de mim mesmo
E me concentra a você, a quando você dará mais um fragmento de ti
E eu me insisto em tentar me saciar com meu coração partido

Falta sonho
Vou sem paz me procurando onde não acho
Lugar pra mim, em seu mundo que me despacha
Que me deixa perdido, no universo que já foi meu
E foi remapeado, trocando também as fechaduras de cada porta de sua percepção

Mas e se eu não quisesse acordar desse pesadelo?
Se ele no fundo me deixasse com vontade de continuar caminhando
Eu posso estar atraído por esse naufrágio
Posso estar gostando de sofrimento, por vontade de não deixar nada morrer
Tudo pelo último fio de desatino

Eu vou nadar contra a maré, vou me banhar no orvalho
Vou me lavar, vou purificar minha alma
Vou versejar, até achar a resposta
Até me sentir resoluto
Até dizer que não falta mais nada
Até dizer que não me falta você

Jefferson Procópio

sábado, 16 de junho de 2012

Nós


    nós
    nós não
    nós tão
    nostalgia
          tal dia
          talvez um dia
Jefferson Procópio

terça-feira, 12 de junho de 2012

Coração Crás


Por que os meus versos estão tortos?
Por que os meus poetas estão mortos?
E a vida que outrora prometida
Não passou de uma fase esquecida?

Onde está minha cabeça nessa hora?
Pensa em versar para ti aqui e agora
Deitado atarefado ou no sofá
Escrevo tanto mas não sei o que pensar

E quanto ao luar antes tão bom de se olhar
Não me ama mais não me ama mais
Enquanto eu me entorto de tanto desabafar
Você trai você crás e vou sem paz

Eu tento por que tento tanto assim amenizar?
A dor do meu amor com a dor de poetizar
A bossa abstrata que se cria devagar
Acaba de vagar acaba de vagar de vagar

E os meus pensamentos que acabaram de vagar
Parecem em sua vida se deixarem hipnotizar
O que antes era meu e se foi sem avisar
Acabou de dizer pra eu me esquecer não vai voltar

Jefferson Procópio

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Por Você


Se tudo o que eu fizesse
Fosse por você
Eu só tentaria fazer
Com que você tentasse entender

E se você vivesse em mim e visse
Tudo aquilo que por você eu passei
Choraria frente aos meus versos
Correria atrás do que valeu

Porque pensei que pudesse fazer
Você parar pra pensar
Pensar que eu sempre pretendi sempre te ter
A todo momento, fosse trono ou relento

Eu só queria
Ter teu sorriso em meu olhar
Eu só queria
À meia-noite poder voltar

Eu queria poder
Poetizar, declarar, fazer valer
Pra que você pudesse entender
O que nem eu mais entendo

Tente perceber que meu caminho ainda é você
Olhe pra si, veja seu sim sem fim
Se você não consegue se convencer que já foi
Quer dizer que ainda vivo dentro de você

Eu fiz tudo por você
Pra que você não pudesse se esquecer
Que eu vivi pra te prometer
A poesia em mim

Jefferson Procópio

terça-feira, 22 de maio de 2012

Jogado para o alto

Uma obra pronta, que perfeitamente se encaixou com uma canção
O trabalho maior foi a adaptação,  e pra quem acompanha, uma grande experiência se aponta
Acompanhe o misto de música e poesia, no qual o meu coração se encontra 

Coldplay - Every Teardrop is a Waterfall (Cover by Erik, Mike & Tow Knee)


Jogado para o alto

Que saudade é essa?
Que bate
E me anseia
Me angustia
E antitesia
Me nostalgia
E me abate
Que salta
E assalta
O meu coração

Que vontade é essa?
De gritar bem alto
Que quero sussurrar
No teu ouvido
O meu silêncio
Dizer com meus olhos
O paraíso a gente faz

Vem pra cá
Exterminar
Violentar
Extinguir
Satisfazer
Dessedentar
Vem matar essa saudade
Que eu penso sentir de você

Talvez eu queira buscar
O que ficou pra trás
Talvez eu queira voltar
E queira até demais
Meu coração está batendo
Junto às estrelas
Que brilham hoje por você

Você aceitaria me ouvir?
Pensamentos que me mantêm aqui
E me fazem lembrar
Tanto instante insignificante
Porque não ter você em mim é um instante
Jogado pro alto

Há uma música
Que inunda meu olhos
E que me faz lembrar
Do voo
Jogado pro alto
Pro alto

Eu consigo ver
Eu consigo ver
Consigo ver nosso amor no alto
Eu consigo ver
Eu consigo ver
Consigo ver nosso amor no alto
Eu consigo ver
Eu consigo ver
Consigo ver nosso amor no alto
Eu consigo ver
Eu consigo ver
Consigo ver
Nosso amor

Jefferson Procópio

terça-feira, 15 de maio de 2012

Eis a questão


Se minha presença virasse cinza
O que você faria?
Aproveitaria a ausência
Sopraria migalhas?
Reviveria-me, como uma fênix
E me faria renascer em frente a seu sorriso?
Ou me lançaria ao vento?
Ou me regeneraria?
Eis a questão

Só diga a verdade
Pra machucar meu coração
Ou dar valor a meus versos
Se estivesse com minha poesia em suas mãos
Abraçaria cada trova
Ou tiraria o coração da mão?
Eis a questão

A questão persiste
A dúvida existe, e se reinventa
Muitas vezes sou muito otimista
E várias outras persisto em ser pessimista
Um ciclo sem fim, que toma conta de mim
E me faz questionar
A mim mesmo e a você
Isso tudo é amor?
Eis a questão

Jefferson Procópio

terça-feira, 8 de maio de 2012

Círculos e Ciclos


Você aprende a viver sozinho, vivendo sozinho. Você sente que existe vários novos horizontes, várias variáveis, vários caminhos a serem percorridos. Você percorre vários caminhos. Você consegue sorrir sozinho, se torna forte. Forte o bastante até pra às vezes pensar que nada teve importância.
Mas chega uma hora, bendita ou maldita, não sei, mas chega uma hora, em que é justamente essa força que te enfraquece, que te faz sentir que é preciso ser fraco, às vezes. É essa força que te faz querer voltar ao seu real lugar. E querendo ou não, há um lugar pra você, que você sente que um dia precisa retornar. Porque você percebe que a sua maior força é a sua fraqueza.

Jefferson Procópio

sábado, 5 de maio de 2012

Desespero dos versos


Reconhecer minha insensatez
Pra reconhecer a dádiva da expressividade, da poesia
Pra reconhecer a grandiosidade das palavras, dos sentimentos
Pra botar tudo pra fora, tirar a paz e a agonia daqui de dentro

Unir antíteses e intensificar paradoxos
Sinestesiar tudo que é abstrato
Fazer valer o escrito à luz de velas quase na escuridão
Distanciado da multidão, numa introspecção retórica

Desabafar com cada linha do meu ser
Me sentir sábio, um alfa
Pra depois olhar novamente minha insensatez
E me sentir completo
Aproveitando cada pedaço do propósito desproposital

Ser estúpido, ser desnecessário
Supérfluo prolixo, prescindível e previsível
Mas ainda assim cantar porque a vida existe
E o instante persiste, e me admite como alguém que continua com o mesmo pensamento
Sou estúpido, sou desnecessário
E tento me chamar de poeta

Jefferson Procópio

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Telefone que não mais toca


Posso escrever qualquer percepção
Posso querer alguém aqui, de volta
E por mais difícil que seja, posso ainda poetizar
Algo que feriu e cicatrizou

O meu carnaval
Não foi muito bom
Via você rindo entre os rios
Enquanto eu nadava na chuva
Remava contra a correnteza
Deixando crescer a certeza
De que pra mim não existiria mais carnaval

O telefone tocava eu apenas olhava
E me lembrava
Não adianta correr pra atender
Pois nao sairia dali a voz de ninar
Que tirava a razão, que entrava na mente
E dançava com meu pensamento

O lugar na casa que trazia paz
Virou alucinação
Que insiste em me mostrar que tudo passou
E que me proíbe em pensar positivo
Mas sem mais desesperos
Estou espantando o fantasma
Gostando da chuva
Esperando por outro carnaval
Por outro telefonema

Jefferson Procópio

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Atos Inatos


Compreender
A deserção das juras de amor
A existência dos indícios da dor
O abandono do infinito azul
Como compreender?

Refletir
Deixar a corrente de pensamentos fluir
Pra entender o ininteligível
Riscando o fósforo numa dimensão de pólvora
Em busca de uma luz
Sem medo da explosão
É preciso refletir

Concordar
Ainda ser terno e eterno pra você
Com minha brandura fazer você ver
Que nada foi em vão, nada disso teve fim
Que meus olhos continuam os mesmos, iguais aos seus
Que abrimos a porta pro nosso destino
E prometemos o amanhã, como quem promete voltar
Você precisa concordar

Jefferson Procópio

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Vamos Viver?


Jamais vou descobrir
Se foi destino ou escolha
A razão está longe de mim
Dou vazão à emoção
Vou discernir sua percepção
Adivinhar seu pensamento
Sentir seu calor na brisa do vento

Vou memorizar
Relembrar dos momentos
Antes de dormir e logo após acordar
E impedir seu esquecimento
Até da maneira que eu suspiro
Lamentar minhas voltas pra casa
Esperar pela próxima vez

Vou inventar
Uma desculpa pra te ver
Uma maneira de te fazer feliz
Te ensinar a viver
E aprender com você
O que eu sabia e foi esquecido
Aprender a esquecer
Esquecer de sofrer
E finalmente me deixar envolver

Quer saber?
Pode ser que já estava escrito
No prólogo de nossas vidas
Em linhas tortas e distorcidas
Fazendo com que neste capítulo
Tudo venha a ter um sentido
E não ter fim jamais
Então, vamos viver?

Jefferson Procópio

domingo, 15 de abril de 2012

Destino desatinado


Meu destino é bastardo
É o maestro de sonhos fora do compasso
Sonhos desatinados, oprimidos e engolidos
Sonhos desolados, desbotados, de uma canção quebrada
Quebrada por golpes de desilusão, arrependimento e incompreensão

Minha vida é uma canção que toca interminavelmente fora do tom
Meus sonhos são utopias em vão
É um grande concerto inesperado, desesperado
Onde a felicidade do compositor é indesejada

E o show sempre termina sem aplausos, e sem motivos
Sem motivos pra sonhar, sem motivos pra me prender
Sem motivos pra pensar em você
Você, que sempre diz o que fazer
Mas nunca faz o que diz

Falta a nitidez, falta a sensatez
Não faz sentido continuar na dança
Agora que a música parou
E eu não faço questão de déjà-vú

(Jefferson Procópio e Pedro Macieira)

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Adeus ou Até Mais


Agora me vejo aqui, sozinho
Sem rumo, sem talento
A liberdade sufoca, a saudade permanece
Andar sem rumo, nada se pode achar
Sem fim, sem contentamento

Caminhos se abrem, corpos vagam por aí
Mas ninguém me perguntou
Se eu queria alguma mudança
Que a esperança fizesse as malas
Que a música parasse em seu ápice

Aquilo sem fim teve o fim?
Sem vitórias no final
Nem pra você nem pra mim
Algo quase perfeito se foi?
Sem cartão de visitas, sem dizer se vai voltar
Só deixou aquele lembrete
Muito muito muito muito muito

A lerdinha fugiu, arrebentou a pulseira
Mas esqueceu, aqui, sua bagagem, seu mundo?
Acordou, mas o sonho foi real?
Olha aqui, eu só queria sua companhia
Pode vir tentar buscar
Apenas tentar tentar realizar

Tudo o que eu tenho
É aquela circunstância
Que poderia ter diminuído a distância
Olhos iguais aos teus, longe dos seus
Objeto sem observador, amor sem amor
Eu sem você

Jefferson Procópio

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Renascimento

Já morri várias vezes
Em cada renascimento, surge a poesia em mim
Poesia que nasceu daquela primeira morte
Morte ocasionada pelo excesso de vida

Vida e morte não são termos longínquos
Pra bradar a todos os ventos que estou vivo
Tenho a poesia
Que me tira do consciente, e me faz voar

Cada marca em minha vida é um verso
Cada poema é a busca pela paz
Vivi em várias dimensões tentando me achar
E a poesia, em mim, é um recomeço

Jefferson Procópio