Um pasto verde e seco
Com árvores e trechos íngremes,
Um pequeno rio
E uma linda serra atrás.
A minha poesia te atiça
E tudo é momentâneo.
Com o andar do ônibus,
O sol deu lugar ao vento.
Só são vistas árvores,
Um posto de combustível,
Fumaça antrópica
E o ciclo da contínua poesia.
A minha vida é a tua isca,
E só isso é eterno.
Montanhas e um rancho de reanimar;
Ao sentir o frio vento,
Eu sinto falta do lugar ao sol
Do lugar nenhum, em meio a tanta bagunça em minha vida.
O amor, que foi à primeira vista,
Esquenta meu peito no inverno.
E a minha poesia
Tanto tem me atravessado...
Graças a ela, faz-se fácil perceber
Cada detalhe da distância que nos separa.
(O vento que sopra em meu rosto
Possui teu cheiro.)
A distância é cruel, morena.
Mas ela deve ser amiga!
Todo esse mundo
Pertence a nós.
Todas essas paisagens, que passam no automático,
Me mostram sua figura.
Essas serras do vale.
O pasto inabitado.
O ônibus.
As obras na estrada.
A minha vida:
Tudo pertence a ti.
(Os sintomas que eu escondo da família
Você, de longe, vê.)
Já vi a linha férrea,
Montanhas ao longe,
Uma usina.
Agora, novas árvores na janela.
Agora falta o sonho
Bater levemente.
E o melhor vem por último:
Eu vi o sol,
Escondido atrás da serra.
Brilhando,
Iluminando meu caminho.
(Só preciso de um sono
Que passa por você.)
E dessa forma,
A travessia
Tem sido feita.
E o sol, do outro lado,
Cega
De tanto iluminar.
E me enche de palavras, de vontades
E de uma felicidade extrema.
O que eu vi
Tinha o poder
Do teu olhar
O que eu vi
Foi melhor
Que sonhar
O que eu esqueci
Foi
Não lembrar
Esqueci
De não
Lembrar
E a culpa?
É toda sua.
Jefferson Procópio