segunda-feira, 24 de novembro de 2014

O que eu vi

Um pasto verde e seco
Com árvores e trechos íngremes,
Um pequeno rio
E uma linda serra atrás.

A minha poesia te atiça
E tudo é momentâneo.

Com o andar do ônibus,
O sol deu lugar ao vento.
Só são vistas árvores,
Um posto de combustível,
Fumaça antrópica
E o ciclo da contínua poesia.

A minha vida é a tua isca,
E só isso é eterno.

Montanhas e um rancho de reanimar;
Ao sentir o frio vento,
Eu sinto falta do lugar ao sol
Do lugar nenhum, em meio a tanta bagunça em minha vida.

O amor, que foi à primeira vista,
Esquenta meu peito no inverno.

E a minha poesia
Tanto tem me atravessado...
Graças a ela, faz-se fácil perceber
Cada detalhe da distância que nos separa.

(O vento que sopra em meu rosto
Possui teu cheiro.)

A distância é cruel, morena.
Mas ela deve ser amiga!
Todo esse mundo
Pertence a nós.

Todas essas paisagens, que passam no automático,
Me mostram sua figura.

Essas serras do vale.
O pasto inabitado.
O ônibus.
As obras na estrada.
A minha vida:
Tudo pertence a ti.

(Os sintomas que eu escondo da família
Você, de longe, vê.)

Já vi a linha férrea,
Montanhas ao longe,
Uma usina.
Agora, novas árvores na janela.

Agora falta o sonho
Bater levemente.

E o melhor vem por último:
Eu vi o sol,
Escondido atrás da serra.
Brilhando,
Iluminando meu caminho.

(Só preciso de um sono
Que passa por você.)

E dessa forma,
A travessia
Tem sido feita.
E o sol, do outro lado,
Cega
De tanto iluminar.

E me enche de palavras, de vontades
E de uma felicidade extrema.

O que eu vi
Tinha o poder
Do teu olhar

O que eu vi
Foi melhor
Que sonhar

O que eu esqueci
Foi
Não lembrar

Esqueci
De não
Lembrar

E a culpa?
É toda sua.

Jefferson Procópio