domingo, 23 de março de 2014

Recordação

Toda vez
Que o brilho do sol
Afagar a minha pele
Cortada pelo frio vento de outono
Vou me lembrar do seu abraço

Sempre
Que a língua travar na hora de definir
E os olhos banharem-se
Por lágrimas ou retinas fatigadas
Vou me lembrar do seu olhar

Todo momento
Que eu bater em retirada
Em atraso e impontualidade
Vou mais uma vez lamentar a distância
E abandonar meu relógio

E assim que o sol se por
E o vento vier
Mais uma vez, intrínseco
Acabar com a minha alma
Vou me jogar ao relento
E me lembrar daqueles dias
Que não tiveram fim

E após eu virar cinza
Queimado pela chama da saudade
Quando eu vir o mar, quando eu virar mar, quando vir a amar
Vou me banhar de você

Quando a mais doce melodia
Que afaga o vento
Chega aos meus ouvidos
Eu me lembro

Que a gente atravessou
As linhas do acaso
E se cruzou
Nas entrelinhas do destino

Até sempre
Até nunca
Até amanhã
Só por hoje
Infinito

Jefferson Procópio
(15/06/13)

domingo, 9 de março de 2014

Ele por mim

Fez de mim, a base
E me elevou até o topo

Eu só via bagunça, mas mal ele sabia
O que eu sentia

Eu gosto de ser misteriosa... sempre dizia, e ia além
O meu mistério eu conheço muito bem

Sei quando vem, quando chega, quando sai
E quando fica

Eu sou aquela que chegou, que se achou
E se perdeu

Eu penso com o olhar
Ele com as palavras

E até me leva a sério, é verdade
Mas não enxerga a minha seriedade

Ele não se leva a sério, não leva quase nada consigo
Só leva minha vida na bagagem, sem me dar passagem, ou opção

Sem dizer sim
Ou não

Sem mencionar ainda a atração, nossa química, física, matemática
E o português... minha linguagem com ele é universal

E eu apenas prefiro
Me calar

Não me pergunte motivos, afinal, nem ruídos
Da minha vida ele escuta

Ele só fala, só sente
Perde a cabeça pra paisagem e me faz uma ligação

E eu só queria tê-lo
Por perto

Pro meu mistério
Não ser desespero

Pra minha vida
Ser dele

Pra ele deixar de poesia
E me sentir.

Jefferson Procópio