quinta-feira, 21 de junho de 2018

Alquimia de Itabira

... Ei, olha tu,
Tu que me chama de sol,
Tu que se queima de solidão,
Sou a sombra que te lombra,
Holofote que te cega,
Sai do desfile, para de furar fila,
Respeito aos arquipélagos pra eu colar com minha ilha.
Vai pro embate, combata na batalha e no debate.
Vida segue, e as nota,
Nós não quer contar, nós só quer multiplicar!

POW

Reflito no aflito do conflito que eu provoquei.
Miséria de privilégio, vitória-régia não sei reger.
Dizem que o crime não oprime o discriminado,
Esse marco só especula a impunidade que demarca a Samarco.

No meu eixo eu não deixo lixo espacial entrar em órbita,
Ligo a espiral, sou especial, óbito da estrela morta,
Reação em cadeia, incendeia a missão supernova.
Seletiva coleta do resto que se transmuta e transvive.

Panaceia universal, fibra moral,
Filosofal da pedra que se mostra nos vagões.
Escavadeira Vale explora sonhos, horários, turnos e operários.
Caminhos abrem e fecham por cifrões, reduziram mais salário.

Nem sei se eu to legal, eu pensei e tal, se reseto ou recomeço.
Naquilo que ela disse que eu errei... que embaraço.
Mas não me esqueço o que sinto, analisei e ainda processo,
Não saio ileso mas o preço caro da saudade, quero pagar com um abraço.

Da minha barriga sou o rei,
Poesias que conflitam com o que tem ao redor,
Nas matas, milho, veneno, auto-genocídio,
O cerrado perdeu saúde e deixou saudade.

Falaram merda, fecharam a cara, raiva, nasceu narciso.
Verso livre pelo livro com discurso indireto livre,
Analisa aquela pesquisa que gentrifica as quebrada.
Gentrifica, e o povo que fica, ignora as parada.

Fluidez dos meus rios ao lembrar daquele riso,
Campainha da chegada da superação.
Super homem mergulhador da quarta dimensão,
Pra acessar a louca cura o tempo espera integração.

De Itabira, a pedra brilha, reflexo da mineração,
Entre vias há poéticas do território,
Tratam o retrato na parede como a mais doce memória
Do antigo cartão postal desconstituído da história.

Chorar saudade ao contrário, cansei de fazer soneto,
Te chamo pra um dueto, um frevo no seu horário.
Nos mistérios deste planeta, senti a sua idade.
Em nós ancestralidade, acesso em gaveta a luz de Tieta.

Desculpa meu coração pra eu desculpar minha memória,
Pela certeza que sentir o que pensa é a matéria,
Sem tempo e desnorteado, esquece o ferro e respira o etéreo,
Pra que todo coletivo celebre seu horizonte e sua glória.

Da propagação do som da minha garganta eu me orgulho,
Propaga o mergulho na colcha de retalho que me emenda,
Itabirano, mora, morre e suicida em tanto bairro,
Removeram mais um indigente, especularam, lotearam a encomenda.

E ao fim, tudo devastado.

Vendaval vandalizado,
Grão de areia na praia,
Água mansa nas raias das marés,
Corro com fogo nos meus pés.

Itabirano abre a porta,
Reúne tudo o que importa,
Todo o tesouro quadrilátero, vintém.
Manda embora todo esse trem!

Este modal não tá na moda,
Ferroviário só exporta,
Cenários da cidade morta,
Que vive em se repartir.

Jefferson Procópio