quinta-feira, 23 de abril de 2015

Alegoria do embora

Por que eu tenho que me levantar Se por quem eu respiro há tanta presença? Às seis, a manhã serenou em tão silêncio E a persiana branca, aberta e esquecida, contrasta com a pele dela Que me queima. Segunda-feira, eu tô te odiando. Há tanto castigo de você pra mim! Pra que a ressaca? Qual cruz eu carreguei? Qual espada me transpassou? E a porra do chuveiro enguiçado que não ligou o ''inverno''. E o taxista que quase atrasou. Cada passo pra fora do quarto é um tropeço, Cada pensamento é um soco. Por que me levantar? Acordar e tirar a blusa dela pra ser chupado pelos seios. Isso sim é convite pra passear! Parar na alma dela; entrar. Faltou saúde pra sair. Sobrou embrulho no estômago E um pensamento poesia que preciso vomitar. No dia que eu me levantar e não precisar ir embora, Vou ligar a vitrola. Será Alceu, pra comemorar.

Jefferson Procópio

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Teu sabor cru

Tu se entregaste a mim,
e eu me entreguei ao diabo
E perdi toda e qualquer compostura.
Vomitei a chance de me fazer imortal.

E não ligo. Não dou a mínima.
Prefiro loucura, dessas que se faz entre quatro paredes, em tesão.
Por mais que a vida não tenha rima,
O fogo aceso ilumina a aliteração.

Há quem não diga que é normal
Mas é mais gostoso com mais libido, mais vertigem.
Afinal... mais carne é menos unha
mais sexo é menos virgem.

Não quero me expor a qualquer loucura.
Essa não é a cura, qualquer coisa crua não interessa.
E pelo profano eu vou, e estou à procura
Não do que termina, mas do que começa.

Jefferson Procópio