terça-feira, 23 de setembro de 2014

Traços da vida traçada

O brilho dos seus olhos
Molham o meu rosto
Como as folhas expostas ao sereno
É tempo úmido em chuva de verão

Molha minha alma o seu sorriso
Me dá calma, me deixa o aviso
Fronte a mim está a paz que eu queria
Está você

Quando tu me encaras, dizes tudo o que eu preciso
Só com os olhos, que transmitem o pensamento
E eu me rendo a toda nossa gritaria silenciosa

Abrem-se as portas, descobertos são os segredos
Em suas mãos flutuam as sete chaves
Do meu coração

As curvas da estrada
Me remetem as suas
Que remexem, nuas
Num mundo que a gente ainda não se viu

E enquanto houver vida
Não haverá partida

O som das suas palavras
Ecoam  dentro de mim
Me deixam no desalento
Procurando o canto dos pássaros
No canto da minha alma

Eu me lembro de tudo
E não sei mais nada
Eu me presto a tudo
E não presto pra nada

Os seus traços
Traçam o meu destino
As tuas curvas
Desenham a estrada
Que sobrevoaremos

Jefferson Procópio

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Fio de prata

Até quando eu estava fora de mim
Te vi ali dentro

Acalmando a minha alma
E sendo junto ao meu corpo
Apenas um ser

Eterno vai o ser
Oriundo das loucuras que você conhece

Apesar do medo
Apesar da ansiedade

Medo das curvas da estrada
Ansiedade pelas suas curvas

E o insano diz que gosta
Diz que é necessidade
Acreditar ou não?

Só não sei como é possível
Você ser mais eu
Que eu mesmo

E eu só me inundo... e sorrio
Já que enquanto você cachoeira
Eu sou rio

Jefferson Procópio

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Análise sistemática do trabalho










Tem que ter perfil
Aparato, aparelho...
Robotizar a situação.
Sem banheiro, sem espelho

Tempo e movimento
Vai lá, produzir...
Só produza, que quem abusa
Da sorte, é você, não eu.

Se adeque ao rigor da minha empresa
Que o teu vigor é minha saúde,
E tu tens atrasado minha equipe.
Estás diminuindo o ritmo de minha esteira

Me dê o teu refil, querido ser-humáquina
Pra minha boa vontade
Virar pó.
Pra limpar
A tua consciência.
Pra deixar lavada
A sua alma,
Sem recompensa.

Meu ônus, teu bônus.
Seu ânus, dois anos,
Demitido, já era!
O teu poder de barganha
Não bate... só apanha.

Só termine a tua etapa.
Rápido! senão do chefe eu levo tapa
E você, levo à berlinda.
Vais perceber
O quanto a casa da Mãe Joana
É tão linda

Falho, fálico, falei, fiz.
Rapa o pé, que o teu rapel
Não ficou em pé... foi pro beleléu.

O trabalho é a construção da dignidade humana,
Mas o seu trabalho... caro trabalha(dor),
Desconstrução da indignidade desumana.

Jefferson Procópio