quinta-feira, 26 de abril de 2012

Atos Inatos


Compreender
A deserção das juras de amor
A existência dos indícios da dor
O abandono do infinito azul
Como compreender?

Refletir
Deixar a corrente de pensamentos fluir
Pra entender o ininteligível
Riscando o fósforo numa dimensão de pólvora
Em busca de uma luz
Sem medo da explosão
É preciso refletir

Concordar
Ainda ser terno e eterno pra você
Com minha brandura fazer você ver
Que nada foi em vão, nada disso teve fim
Que meus olhos continuam os mesmos, iguais aos seus
Que abrimos a porta pro nosso destino
E prometemos o amanhã, como quem promete voltar
Você precisa concordar

Jefferson Procópio

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Vamos Viver?


Jamais vou descobrir
Se foi destino ou escolha
A razão está longe de mim
Dou vazão à emoção
Vou discernir sua percepção
Adivinhar seu pensamento
Sentir seu calor na brisa do vento

Vou memorizar
Relembrar dos momentos
Antes de dormir e logo após acordar
E impedir seu esquecimento
Até da maneira que eu suspiro
Lamentar minhas voltas pra casa
Esperar pela próxima vez

Vou inventar
Uma desculpa pra te ver
Uma maneira de te fazer feliz
Te ensinar a viver
E aprender com você
O que eu sabia e foi esquecido
Aprender a esquecer
Esquecer de sofrer
E finalmente me deixar envolver

Quer saber?
Pode ser que já estava escrito
No prólogo de nossas vidas
Em linhas tortas e distorcidas
Fazendo com que neste capítulo
Tudo venha a ter um sentido
E não ter fim jamais
Então, vamos viver?

Jefferson Procópio

domingo, 15 de abril de 2012

Destino desatinado


Meu destino é bastardo
É o maestro de sonhos fora do compasso
Sonhos desatinados, oprimidos e engolidos
Sonhos desolados, desbotados, de uma canção quebrada
Quebrada por golpes de desilusão, arrependimento e incompreensão

Minha vida é uma canção que toca interminavelmente fora do tom
Meus sonhos são utopias em vão
É um grande concerto inesperado, desesperado
Onde a felicidade do compositor é indesejada

E o show sempre termina sem aplausos, e sem motivos
Sem motivos pra sonhar, sem motivos pra me prender
Sem motivos pra pensar em você
Você, que sempre diz o que fazer
Mas nunca faz o que diz

Falta a nitidez, falta a sensatez
Não faz sentido continuar na dança
Agora que a música parou
E eu não faço questão de déjà-vú

(Jefferson Procópio e Pedro Macieira)

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Adeus ou Até Mais


Agora me vejo aqui, sozinho
Sem rumo, sem talento
A liberdade sufoca, a saudade permanece
Andar sem rumo, nada se pode achar
Sem fim, sem contentamento

Caminhos se abrem, corpos vagam por aí
Mas ninguém me perguntou
Se eu queria alguma mudança
Que a esperança fizesse as malas
Que a música parasse em seu ápice

Aquilo sem fim teve o fim?
Sem vitórias no final
Nem pra você nem pra mim
Algo quase perfeito se foi?
Sem cartão de visitas, sem dizer se vai voltar
Só deixou aquele lembrete
Muito muito muito muito muito

A lerdinha fugiu, arrebentou a pulseira
Mas esqueceu, aqui, sua bagagem, seu mundo?
Acordou, mas o sonho foi real?
Olha aqui, eu só queria sua companhia
Pode vir tentar buscar
Apenas tentar tentar realizar

Tudo o que eu tenho
É aquela circunstância
Que poderia ter diminuído a distância
Olhos iguais aos teus, longe dos seus
Objeto sem observador, amor sem amor
Eu sem você

Jefferson Procópio

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Renascimento

Já morri várias vezes
Em cada renascimento, surge a poesia em mim
Poesia que nasceu daquela primeira morte
Morte ocasionada pelo excesso de vida

Vida e morte não são termos longínquos
Pra bradar a todos os ventos que estou vivo
Tenho a poesia
Que me tira do consciente, e me faz voar

Cada marca em minha vida é um verso
Cada poema é a busca pela paz
Vivi em várias dimensões tentando me achar
E a poesia, em mim, é um recomeço

Jefferson Procópio