segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Residência




Minha poesia
Reside, agora, em você
Para tê-la, basta a mim fazê-la
Se entregar

Minha sina
Pertence, somente, à distância
Que talvez até fosse amiga
Não fosse o estrago que faz

Seu perfume
Atribui-se, hoje, ao vento
Que o sopra em minha face
E me faz querer te ver

A saudade
Existe, aqui, e agora
E sempre se faz aguda
Após o terceiro copo

O quarto copo
Me faz imaginar você
Cantando ao sabor do luar
Banhada pelo meu querer

Infinita
Seu corpo se funde à distância
Que me separa de você
Mas nos torna um só

Jefferson Procópio

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Vida é camaleão



Reacender
Reascender
Facetas de fácil acesso
Dê-me o fogo, que eu lhe dou a escada
Ou elevador... às vezes rapidez fala mais alto

Mas é isso: o paraíso
Você dá o sol, pra reacender
Fora e dentro de nós... mentes abertas e faróis
Com luz, tudo condiz ferh'oz
Eu sou catapulta
Ou avião, ou um simples pássaro
Sou tudo aquilo que alça altura
Lá em cima, há um toque de sabedoria

Duas ações, por mais que fajutas vistas de fora
Podem mudar, não sei se a nossa, mas ao menos minha vida
E com uma vida na melhor, com um rio que vai desaguar nos nossos rostos
Não deixaríamos de lado a chance de pular de ponta
De perder estribeiras, e quem sabe, nos tornarmos nus pela primeira vez

Já estive lá em cima, uma vez
Tudo que eu via era uma luz castanha que refletia o meu rosto (a luz dos olhos teus)
Que me deixava exposto à minha poesia, ao perigo de tudo se apagar e cair
E apagar, e cair... pra sempre

Mas depois que pra mim esses olhos se fecharam... eu não tenho preferência
Me deixo navegar a qualquer olhar, a qualquer tom de cor num par de olhos

Quem sabe a vida não seja como um camaleão?
Quando descobrimos um caminho, seu maior segredo
Ela muda de cor, muda de rota
E perdemos a noção, a visão fica branca, ou negra
Ou castanha... depende da cor da vida, depende da descoberta
Depende da cor dos olhos

Quem sabe um café não salva e guarda o nosso dia?
Algo assim, pra esquentar a nossa boca enquanto nos encaramos
Imaginando nossos sabores e labores se misturando
Com o sabor que guardamos e provamos
Pode estar muito quente, ou muito doce, ou pouco quente
Ou quem sabe, sem cafeína

Qual é o sentido da vida?
Procurar àquela que pode tomar um café conosco?
Não, não deve ser esse... a vida não é tão café
Vida é camaleão
Nosso sentido, sim
Pode ser a busca de um café que nos agrade

Sentido da vida é se ver no topo? Se ver iluminado?
Isso pode ser perigoso, pois assim, todos te encarariam
Todos ficariam de olho em você, em seu trono
Que é a bênção de ser o próprio dono da vida

Por que tanta procura?
Já que a vida é camaleão, palavras podem perder o sentido
Um dia, podem...
Por que querer tanta convicção, se quanto mais se sabe, mais se duvida?
Para que ser tão conciso na maior parte do tempo, se no fim, só restam perguntas?
Alguém um dia vai me responder?

E assim fica a vida, muda de cor (mais uma vez) após uma boa prosa

Jefferson Procópio

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Sorriso overdose

Sorriso overdose
Então sobe
Mais uma dose

De bebida na minha sina
Que é querer te ver um dia inteiro

Tu és distante, e não foge
Do meu jeito, minha poesia

Isso me faz planejar
Te ter um dia
Por inteiro

Jefferson Procópio

terça-feira, 11 de junho de 2013

estrelinda

ESTRELINDA





Estrela mor

Morte vida desatino



Morre mais uma vida

Cresce mais um menino


Estrela eu vi
Passar por ali, correr gritar pressa preço fixo
Tempo real como passou e eu percebi
Que a estrela maior está dentro de mim


Já fechei meus olhos
De tanto que abri


Já abri meus sonhos
De tanto que me fechei 


Já pus as cartas na mesa
E escolhi o meu jogo 
Só tenho me afogado... talvez haja mesmo a sereia


Lua maior
Que nasceu cresceu reproduziu 
E deu lugar ao sol
Que sempre esteve ali 


Que longe da Lua
Ou perto, se juntou e se casou 


Um eclipse em elipse


Imperfeitos são
Ímpar feitos são


Pra se juntarem 
Só pra virarem par 


Nada a declarar 

Tudo a fazer

Nada a perder

Tudo a ganhar


Jefferson Procópio

domingo, 28 de abril de 2013

Belezarte


A profundeza dos seus olhos é oceano
Perco a calma e a compostura quando te encaro
O meu mundo gira nessa órbita brilhante e cor de mel com canela
Me afogo, me faço seu, traço meus versos pensando em suas curvas

Meus pensamentos pintam um quadro com seu rosto
Com seu sorriso tímido e sem graça
Pode não transparecer... mas quando ela sai, e deixa seu cheiro...
A pessoa em mim, é poeta, é Pessoa

O oceano, o céu azul, até mesmo o blues
Se invejam com a profundeza dos olhos dela
Que quando choram, desabam a natureza ao redor
Mas quando sorriem... faz minha poesia ficar muda

Jefferson Procópio

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Cinza

Pelas ruas eu vejo possessão e desejo
Todos, tão desesperados por descarrego
Que estão sem tempo pra café e queijo

Se for pra ser assim
Oh Anjo que existe
Toma conta do que é triste
Toma conta do meu samba
Anjo Serafim... será fim?

Que eu não aguento mais
Já não estou capaz
De achar a minha paz
Não paro pra pensar

Pelas ruas, eles vêm e vão
E voltam, tão em vão
Já chega, preciso sair numa nova sessão

Onde estão os caras? Aqueles caras?
Aquelas pessoas mais raras? Beleza rara
Que deixam a nossa vida clara?
E os seus olhos claros...

O capitalismo toma conta da capital
As pessoas se distanciam do seu lado pessoal
Perdem a cabeça, ganham uma coça e dizem que tudo tá normal
Tudo tá normal?

A rua fica cinza, mostra os dentes
E cinza, é a minha fé, ranzinza, inconsequente
Que move moinhos, mas não consegue sair do lugar
Não consegue... apenas segue

Jefferson Procópio

quinta-feira, 14 de março de 2013

Amar e amaria


Tomei um gole de pureza
Ao te pegar no colo
E eis que sem querer, assim impreciso
No reflexo de seus olhos me afogo

Tão menor que o meu braço
E já causou tanto embaraço
Me embebeda, enquanto eu traço
Algumas linhas sobre nosso laço

O seu sorriso voa, irmãzinha
E se compara à mais linda queda da cachoeira
Que como eu, chora
Diante das nossas brincadeiras

Me chame de pai, irmãzinha
Já que de irmão passei do ponto
Assim que cheguei ao seu encontro
E vi o seu primeiro passo

Compro sempre o seu sorriso
Com cambalhotas, pulos e sustos
Se minha felicidade frente a ti desse dinheiro
A pobreza desse mundo se acabaria

A Mari e a Maria
Amar e amaria
Termos soltos, tanto quanto o nexo
Que se desprende e voa junto ao seu sorriso

Jefferson Procópio

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

amuleto


 

fiz do amor, amuleto
valorizei, e mostrei
essa pureza ao mundo inteiro

quando achei que estava minha vida junto à dela
que era só vitória... eu perdi, e amarguei
o meu talento

sem valor, me extraviei
mas dentro de mim, encontrei
a poesia

desde então, eu tento
encontrar (novamente) o amor... mas se perdê-lo (novamente)
a agridoce inspiração (a poesia) vem me consolar

de sorrisos nas ruas, tento me saciar
recebo sorrisos, e os retribuo com versos
algo maior haveria, que presente de poeta?

Jefferson Procópio

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Brincadeira de poeta

De tanto brincar com as palavras,
O poeta brincou consigo mesmo.
E amou.

Amou o primeiro sorriso, o primeiro olhar.
Sem se dar conta que a brincadeira
Não era de criança,
Nem que tampouco
A dança
Foi dançada sem um par.

E só de disso se lembrar,
O poeta volta a brincar.
Ele sim, como criança,
Já que só vê pureza, até onde não há.

E eis que brinca: sem parar, vai versejar
E festejar
Um poema a mais, um amor ainda maior
Que a brincadeira.

E brinca: tira as coisas do lugar
E põe amor onde antes não havia.
Ele se caga pra reciprocidade.
E ama escrever pra si.

Sem nem ao menos perceber
Que esse amor
Foi guardado no fundo da caixa
Ao lado daquele papel escrito
Rabiscos que brincaram com os olhos da musa
Algumas vezes, não todas

Festejo sem beijo
Sorriso que resulta em rima
E mais ainda: em desejo.
Brincadeira de poeta.

Jefferson Procópio

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Sem tabu

Crasso amasso, dois que lutam pelo mesmo espaço
Novo estado, tudo escuro, tento ver seus traços
Abre a boca e fecha os olhos, bem se parece com um bocejo
Rosto desnudo, aparece a alma e me lasca um beijo

Yin-yang, preto no branco, branco no preto
Doce contraste de dois corpos a remarem
Navegando em água pura, num ritmo musical
Eu sou o leme, você é o mar, e nós nos pomos a nos misturar

A gravidade tanto tenta nos empurrar pra baixo
As cabeças se abrem, voam, e prum horizonte distante, se vão
Tenta tão em vão jogar nossos membros no chão
Os corpos se encaixam, e se fazem um só, como o céu e o mar

Quero uma forma minha que se encaixe a seu sussurro
Uma expressão pra disfarçar a falta de fôlego e fazer alusão
Ao dia frio, com dois corpos quentes e quatro pernas roçando
Ao vaivém sem fim do nosso mundo, à nossa peculiar versão

Busco versos que se comparem ao nosso suor
E palavras, que quando ditas, tenham gosto de ofegação
Mas não ligo se não achar, e no resto da cama, me perder
Assim, poderíamos nos juntar... pra construirmos um labirinto

Jefferson Procópio