quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Entreter-se por não ter

Artifício: arte e ofício
Poema liso, arte artificial
Partes simétricas sem um ponto igual
Delírios em amar-te, com final sem ter início

Expressão: palavreado sem pronunciação
De dez, sete se perdem e se jogam por aí
Te convencer com meus batimentos a cada segundo
A cada fração, centioitenta batidas se aceleram a centioitenta por hora

Entretenimento: escrita e lamento
Sentir a lástima prantear as palavras
Laços tentando se reerguerem, no desespero dos poetas
Crasso erro, pedaço de esperança, do profeta das indiretas

Destino: desatino de menino
O que para e pira a mente
O tempo apaga, de repente
Se desata, sem dizer que está se esvaindo

Despedida: dor sem vida
Que antes doce vida, se amarga com a partida
De algo que se foi, que morreu
Sem antes dizer se já foi meu

Jefferson Procópio

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Só um



Chega o momento que se jogar ao relento não é desabar
Que esse sereno vira cobertor e copo de chá
Se misturam orvalho e lágrima, molham a calçada
Se fazem um só, evaporam e viram nada

Os estragos da noite, na estrada da vida
Trazidos comigo, com o dedo na ferida
Chega a chuva, temporal, e a rua se banha
Estrada da vida, estragos da noite, se fazem só um

Eu sou a chuva, você o sol, eu pensando em sermos um só
Arco-íris aparece, colorido, alimenta o meu relento
Lágrimas descem, doce vida, transbordando meu rio e meu lamento
No vale da vida, no meio da rua, você o sol, eu o estrago da noite

Jefferson Procópio

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Conferência
















Sinto minha sina ao tentar saber
Quanto ao sino que nos uniu e nos fez nos conhecer
Se criou nosso mundo, se clama por nossa chama
Se a distância se engana, quando chega em nosso encontro na estrada

Sinto a falta daquele afago sem pretensão
Que lhe tirava a tensão, sorrisos e clarão
Quando a calma tanto queria o seu lugar
Virava sombra, pra eu tirar escombro do teu coração

Quatro mil anos, dúvida de quatro cabeças
E minha insanidade chega por não dar bandeira
Não disfarço mais o olhar, nem desfaço o que eu quero falar
Mas me encalço quando caço ao longe sua voz em meio à cegueira

Jefferson Procópio