sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Sem tabu

Crasso amasso, dois que lutam pelo mesmo espaço
Novo estado, tudo escuro, tento ver seus traços
Abre a boca e fecha os olhos, bem se parece com um bocejo
Rosto desnudo, aparece a alma e me lasca um beijo

Yin-yang, preto no branco, branco no preto
Doce contraste de dois corpos a remarem
Navegando em água pura, num ritmo musical
Eu sou o leme, você é o mar, e nós nos pomos a nos misturar

A gravidade tanto tenta nos empurrar pra baixo
As cabeças se abrem, voam, e prum horizonte distante, se vão
Tenta tão em vão jogar nossos membros no chão
Os corpos se encaixam, e se fazem um só, como o céu e o mar

Quero uma forma minha que se encaixe a seu sussurro
Uma expressão pra disfarçar a falta de fôlego e fazer alusão
Ao dia frio, com dois corpos quentes e quatro pernas roçando
Ao vaivém sem fim do nosso mundo, à nossa peculiar versão

Busco versos que se comparem ao nosso suor
E palavras, que quando ditas, tenham gosto de ofegação
Mas não ligo se não achar, e no resto da cama, me perder
Assim, poderíamos nos juntar... pra construirmos um labirinto

Jefferson Procópio

3 comentários:

  1. Quase um Petrarca! rsrs muito bom, Jefferson. Bem nítido, sensual e rico em questões estéticas. Parabéns.

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  2. E eu sei bem o que é navegar em água pura, em ritmo musical... Essa mistura de corpos, palavras, bocas e música, me encantou!

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  3. Aventurando-se numa peculiar vertente da poesia, soube proporcionar à imaginações ferteis a visão da transcendencia de corpo e alma.

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