segunda-feira, 8 de abril de 2013

Cinza

Pelas ruas eu vejo possessão e desejo
Todos, tão desesperados por descarrego
Que estão sem tempo pra café e queijo

Se for pra ser assim
Oh Anjo que existe
Toma conta do que é triste
Toma conta do meu samba
Anjo Serafim... será fim?

Que eu não aguento mais
Já não estou capaz
De achar a minha paz
Não paro pra pensar

Pelas ruas, eles vêm e vão
E voltam, tão em vão
Já chega, preciso sair numa nova sessão

Onde estão os caras? Aqueles caras?
Aquelas pessoas mais raras? Beleza rara
Que deixam a nossa vida clara?
E os seus olhos claros...

O capitalismo toma conta da capital
As pessoas se distanciam do seu lado pessoal
Perdem a cabeça, ganham uma coça e dizem que tudo tá normal
Tudo tá normal?

A rua fica cinza, mostra os dentes
E cinza, é a minha fé, ranzinza, inconsequente
Que move moinhos, mas não consegue sair do lugar
Não consegue... apenas segue

Jefferson Procópio

Um comentário:

  1. Que coisa boa,a poesia e a socieda! Sua lírica conciliada com uma crítica... muito bom!

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