Parti com as grades da casa
Sem as chaves
Nesse espaço, me tranquei
Como pombo sem asa
Que voa e cai em qualquer lugar
Com luz e sem lucidez
Já me parti inúmeras vezes
Cada um tem um pedaço de mim
Mas só ela possui a cereja
A cerveja se imagina numa boca qualquer
E eu sempre me engano sem saber como é
Sentir o sabor da boca dela
Se enganar com a presença
Sem tomar café
Se esquecer da comida (e não se por de pé)
Tudo passa, parte
No mar, em março, ou em Marte
Tudo se parte
E na sinceridade, se eu parto alguém
Se eu espero
Um parto, um quarto, uma vida
É porque eu me literei
Literaturei
A partida
Jefferson Procópio
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