terça-feira, 28 de outubro de 2014

Ciclo do indescritível

Não há verso que alcance controvérsia
tamanha quanto as curvas do teu corpo.
O poeta tanto abusou,
que as palavras saíram de sua boca,
Para se embaralharem em você.

Sem saber o que dizer, ele viu na luz irradiada daqueles líricos olhos
o que precisava ser feito.
Tanta palavras esparramadas na musa, ele deixou escapar
que, com a boca, teve que voltar a degluti-las.
Deglutir as palavras. Deglutir a musa. De cabo a rabo.

E assim caminha ele, nessa trilha perigosa,
Onde o poeta não consegue mensurar o tamanho das palavras,
Nem o que escrever... e vendo de fora, é possível perceber
que isso é até bom. Quando o poeta está lá dentro,
Nem a mais bela poesia expressa o que ele sente.

Mas o que foi que aconteceu?
Não sou médico nessa vida, mas preciso dar o veredito.
O poeta muito ainda vai escrever, os mais belos versos
Mas ele decidiu dar um tempo. Deixar de idealizar a alma de sua musa,
E senti-la como mulher.

Bem brincou com os momentos
Brindou os lamentos, desmentindo despedidas
E de tanto se inclinar ao erro,
Este o renegou. E o tropeço virou dádiva de sua vida.

Agora ele vaga, entre versos quadrados
E se deixa perder as palavras
Pras curvas da cintura dela.
Até chega a conseguir as palavras de volta
Ao passo que se entrega, e se perde outra vez,
Entrando num longo e eterno ciclo.

E tal ciclo, tão indescritível à ponta da língua,
se torna eterno, à flor da pele e ao brilho do olhar.
Tudo aquilo que o poeta deixou de expressar
Se volta em sexo, gozo e prazer.

A carne arranha a alma nesse vicioso círculo
E o amor alcança outras roupagens.
O poeta nunca pensou em amar sacanagem,
Até ver a cama mudar de lugar
pela força dos corpos.

Jefferson Procópio

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