quinta-feira, 23 de abril de 2015

Alegoria do embora

Por que eu tenho que me levantar Se por quem eu respiro há tanta presença? Às seis, a manhã serenou em tão silêncio E a persiana branca, aberta e esquecida, contrasta com a pele dela Que me queima. Segunda-feira, eu tô te odiando. Há tanto castigo de você pra mim! Pra que a ressaca? Qual cruz eu carreguei? Qual espada me transpassou? E a porra do chuveiro enguiçado que não ligou o ''inverno''. E o taxista que quase atrasou. Cada passo pra fora do quarto é um tropeço, Cada pensamento é um soco. Por que me levantar? Acordar e tirar a blusa dela pra ser chupado pelos seios. Isso sim é convite pra passear! Parar na alma dela; entrar. Faltou saúde pra sair. Sobrou embrulho no estômago E um pensamento poesia que preciso vomitar. No dia que eu me levantar e não precisar ir embora, Vou ligar a vitrola. Será Alceu, pra comemorar.

Jefferson Procópio

Nenhum comentário:

Postar um comentário