segunda-feira, 9 de abril de 2018

calor latente

chama interna que novamente incendiou o ser.
chamado, anos atrás, tempo e máscaras.
ardo continuamente,
árduo, contigo na mente.
ilusão-desilusão... antiga cantiga.

tanto sentido faz este tempo presente.
tenho pensado no que meu coração sente.
às vezes, entendo; noutras, fogaréu.
o fogo, pelo ar, se alastra.
a razão se afasta.

o romance entre nós em minha vida. astral,
sol que tudo rege, e ainda deseja se unificar com a lua na noite,
lua que reflete o sol e dele se ilumina.
meu ser que se perde da lua na claridade do dia,
se recobra em flerte curto, melancólico, ao crepúsculo.
lapso de momento que se eterniza, verde no verde, enquanto se esvai.

na real, não sei o que houve ao redor.
tentei proferir uma frase, gargantas fechadas em nós.
tentei carregar meus amigos, tentei carregar meus amores,
mas a pulsação estava baixa.
amigos e amores fugiram de mim.
amores amigos morreram em meus braços.

tentei me envolver: ardor e fogo na vida da fênix.
pelo ímpeto da paixão, o espírito se arrebatou.
projetou-se às irreais alternativas de alteridade de corações. urgiu e fugiu.
saio sozinho com a solidão pra viver a dor. solidão que dança comigo e levanta poeira leve.
amores e amigos morreram nos meus abraços.

me lembro do ferimento, fenômeno de envelhecimento,
cada poro preparado pro veneno.
minha vontade de unificar sol e lua é vício ou virtude?

minha sangria é oceano,
maré viva vibra à lua,
há lua na pedra da lua?
meu mar flui e eu escrevo.
a ausência da lua sob a presença da emoção envelhece o sol.

não queria desviar o olhar. estupidez minha.
mas, ao menos estes verdes olhos secos,
cansados do tempo e do engano, sentindo o outono,
vez e outra externaliza e transborda: dá vida à dádiva.
meus olhos, janela minh'alma; teus olhos, tua alma,
relances e trocas. memória. vontade.

fez-me total sentido querer entrar em transe.
lua na mesma proporção, mesmo brilho, diferentes fases,
ao universo, crescente está a lua, na minha vida, minguante.
lua cheia de devir, lua nova no papel em branco que insisto em querer escrever.
calor sempre latente.

o sol não pode viver perto da lua?

a lua  na base da liberdade, pode escolher viver em seu oculto lado escuro,
oculto lado, sombra que o sol não alcança,
escura chama que clama em ser mistério do invisível.

lua foge da realidade do dia.
só não pode fugir dos meus olhos,
da minha observação,
da minha exaltação,
da súbita palpitação de meu coração.

mas, por que orbitas tão longe?



jefferson procópio
09/04/2018

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