quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Entreter-se por não ter

Artifício: arte e ofício
Poema liso, arte artificial
Partes simétricas sem um ponto igual
Delírios em amar-te, com final sem ter início

Expressão: palavreado sem pronunciação
De dez, sete se perdem e se jogam por aí
Te convencer com meus batimentos a cada segundo
A cada fração, centioitenta batidas se aceleram a centioitenta por hora

Entretenimento: escrita e lamento
Sentir a lástima prantear as palavras
Laços tentando se reerguerem, no desespero dos poetas
Crasso erro, pedaço de esperança, do profeta das indiretas

Destino: desatino de menino
O que para e pira a mente
O tempo apaga, de repente
Se desata, sem dizer que está se esvaindo

Despedida: dor sem vida
Que antes doce vida, se amarga com a partida
De algo que se foi, que morreu
Sem antes dizer se já foi meu

Jefferson Procópio

4 comentários:

  1. Esse é o dicionario das verdades?

    falou foi tudo aew vey, voce é foda!

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  2. Que lindo, cara! Que vocabulário rico hein? Legal é que a riqueza linguística não 'esfriou' a poesia, pelo contrário! Muito bom!

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  3. Então você é foda! Concordo com Marlon Maia, o vocabulário deu toda uma vida ao texto. Achei lindo!

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