Me preparei
Pra assassinar a fadiga
Eliminar a libido
Que insistirem em pulsar
Sempre estive, na verdade
Com uma dose de saudade
Num copo sem gelo
Que a garganta, deixa amarga
E nunca acaba
Já joguei fora a delonga
Que me impede de abrir os olhos
Pro divino
Agora, qualquer sopro no rosto é brisa
Que corrói todo meu corpo
Trago comigo
A última tragada do último fino
Que sujou por acidente o teu lençol
Trago ainda
Os seus traços
Que me atrasam
Me dão preguiça
De chegar à próxima estação
Mas o sorriso está aberto
Percebi que tenho chegado
Bem perto
Da coragem
De comprar a passagem
Na mão, nada carrego
Aos meus bolsos, me entrego
A um vazio de possibilidades
Que me ajudam a matar a libido
Que dão bom gosto ao meu copo de saudade
Jefferson Procópio
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