domingo, 25 de maio de 2014

Blues derradeiro

A folha branca que eu vejo
Me desperta o teu beijo
E o vazio da distância
Que não me deixa de pé

Mas quem liga, já que a vida
Nem eu mesmo mereço
Só você que alucina
O caminho do começo

Ela também azucrina
A vontade de eu me provar
De provar que tenho a menina
Que pra todos e pra ninguém
Eu posso mostrar, provar, deixar
Rolar a nossa vida

Mesmo que exista rima
Não vai existir nós dois pra sempre
Mesmo que não haja precedente
Pertecente, que padece, que perece
E que me mira no fim do caminho

Não vou ficar sozinho
Tenho minha bebida
Posso ter natureza
Se eu quiser, se você não vier

Não se sabe por inteiro
O que mais verdadeiro é
Eu me faço tão azul, tão derradeiro
Tiro o pacote da bala e te faço mulher

Cadê o primeiro copo?
Só to vendo o seu corpo
Mirado na mente
Que não mente, que se faz presente

Talvez a vida seja melhor assim
Só não fique e se volte contra mim
Egoísmo e desespero, você sabe
Te trouxeram aqui
Talvez você fique

Jefferson Procópio

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