quinta-feira, 31 de julho de 2014

como anda?

comprei uma cadeira de roda
com o desenho mais bonito na borda
pro nosso amor

fazer terapia
até poder
mais uma vez andar

sem precisar dar a mão
se guiar por uma direção
nortear cada percepção
como se fosse glicose

reavivar
ele não bate mais na porta
com medo de acordar
alguém que hiberna
e não sabe
se volta

moro na memória
de um amor que já correu
e todo dia
dou voltas

meu amor
te repouso na cadeira
mostro a primeira estrela
do crepúsculo
mostro o tamanho de mim
tão minúsculo

e me faço assim
eterno
subalterno
pseudo-moderno

e dono
da eternidádiva
que o nosso amor

protagonizou
intenso, agonizou
pronto, repousou
o ponto, ressuscitou
ressurgindo estará o amor

e ele nunca mais vai andar
já virou beija-flor
e voa por nós

voa por vontade
voa por aí
vai pela saudade
de ver o dia sorrir

e ele sabe muito bem
que vai pousar
quando nós
virarmos um só

a bela melodia
que o pássaro cantou
voou, também
foi por bem
encantar outro qualquer

a amarga tarde fria
que o pássaro deixou
congelou, também
o meu coração
foi além
do que se mensura

a alma de quem vivia
se despiu
perdeu as palavras
e a bússola
e foi navegar
em tempos tempestuosos

Jefferson Procópio

2 comentários:

  1. Sua poesia me faz viajar. Algumas vezes me acalma, outras me acelera o ritmo. Diversas vezes,como ao ler este poema, passo vários minutos relendo e absorvendo suas estrofes, seus versos brincando em minha cabeça. Busco seu blog todos os dias, na expectativa - sempre correspondida - de que a minha rotina seja também bastante poética.

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  2. O comentário da coleguinha de cima foi tão completo que me roubou as palavras. Gostei muito dessa poesia. Adorei as metáforas, o amor que nem andava...viu que o solo não era seu limite e austério (mas sereno) alçou voo...

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