sábado, 11 de agosto de 2018

Melancólico

Eu reconheço em seu espaço e aqui dentro, oh, maior musa.
Desorbitada e orientada em si mesma, aponta por todo o meu ser,
Berço do meu afeto.
Destruição dos meus sonhos, que nunca morreram.
Sonhos que permanecem. Vida que continua.
Retratada e eternizada pela extrusão do poeta maior que ouviu sua ofegação, respirou seu ar,
E se asfixiou.
Que te sentiu mulher enquanto ainda éramos meninos.
Mergulhar em seu sagrado feminino.
Não entendo esse trem que sinto.
Vagões de um trem que buzina pra todos ouvirem: são corações. Ora cheios, ora vazios.
A mesma marca.
Trilhos infindos e trens que vão e vêm. Somem e reaparecem no caminho.
Feito tu, munida de verde ao redor da pupila, luz néon de serenidade.
Batom vermelho, imaginário,
Minha vontade de transcender Ágape,
E por Eros, erotizar.
Nunca saíram, da minha trilha, os tons etéreos
da tua imagem, de teu reflexo, nem de meus versos.
Sua presença, sua pré-ausência, anúncio.
Durante a ausência, assenti e a senti. Premeditado por Drummond: ausência sempre está.
Mas quando tu estás aqui, e quando eu estou aí: nós sem amarras.
Fonte de devir! À musa me refiro e me misturo.
Quero navegar nestes mares de fertilidade, ser gozo e dádiva ao que lhe dá vida e lhe sangra.
Quero me limpar com sua pureza. Me sujar com seu tesão. E vice-versa.
Transmissão e troca de pensamentos.
Quero estar contigo sozinho e nu e cru.
Sentir a matéria. Pernas compridas e macias.
Me aterrar e enterrar em suas covinhas. Terra.
Bacias. Sua hidrografia.
Vulcão. Seu valor, calor, fogo.
Ar. Sopro de vida nas nossas faces.
Fazer as pazes com a saúde e a saudade.
Nossos olhos e corpos se chamam.
E como isso é chamado?
Jefferson Procópio
~Ai que vergonha~

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