terça-feira, 5 de agosto de 2014

Engravatado



Eis que o homem de gravata
Tentou comprar o mundo.
Comprou, e se vendeu
Subornou, e se perdeu.

E o nó da gravata
Foi suficiente
Pra asfixia.

O homem de gravata se agravou
E se gravateou.

A gravata agrava a gravidade,
E põe o ser-humano
Em greve.
Jefferson Procópio

3 comentários:

  1. É preciso ter cuidado para não nos engravatarmos e acabarmos sem reconhecer a nós mesmos e nos asfixiando. Sempre manda bem Jeff :)

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  2. Lembrei do Tom Zé em A Gravata. Muito bom, Dé, melhor ainda é olhar pra todos os horizontes possíveis e perceber que há poesia ali também

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  3. É muito grave quando se esquece, se vende ou simplesmente substitui os próprios valores em detrimento a algo inalcançável, suscitado pelo ego. Quanto mais apertado o nó da gravata, maior a pressão na cabeça, menor a possibilidade de realização, mais difícil se desatar, armadilha. Ótimo poema!

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