Eis que o homem de gravata
Tentou comprar o mundo.
Comprou, e se vendeu
Subornou, e se perdeu.
E o nó da gravata
Foi suficiente
Pra asfixia.
O homem de gravata se agravou
E se gravateou.
A gravata agrava a gravidade,
E põe o ser-humano
Em greve.
Jefferson Procópio

É preciso ter cuidado para não nos engravatarmos e acabarmos sem reconhecer a nós mesmos e nos asfixiando. Sempre manda bem Jeff :)
ResponderExcluirLembrei do Tom Zé em A Gravata. Muito bom, Dé, melhor ainda é olhar pra todos os horizontes possíveis e perceber que há poesia ali também
ResponderExcluirÉ muito grave quando se esquece, se vende ou simplesmente substitui os próprios valores em detrimento a algo inalcançável, suscitado pelo ego. Quanto mais apertado o nó da gravata, maior a pressão na cabeça, menor a possibilidade de realização, mais difícil se desatar, armadilha. Ótimo poema!
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