da chegada da primavera,
fênix fora do cinzeiro.
seu olhar residindo no meu,
seu cheiro no meu travesseiro.
calor irradia nossos corpos e caminhos,
precisamos caminhar com calma e devagar.
do contrário, sangue e suor e sumiço.
a brisa do eterno agora retorna: reencontro de almas é isso.
o solo, ao fim do inverno, transmutou minhas raízes.
descarrego toda mágoa do mundo, luz em minhas cicatrizes
refloresço, tão terno; te assisto pousar enquanto voa.
em bem querer, me fecundo. primaveras, esperem e verão.
a pele quente ao sol nos mostra: estamos vivos.
brilhos de afeto e recomeço amenizam o que foge aos olhos.
livros decerto antigos, psicografados, reencontro de marília e dirceu.
folhas em branco renascem, novas árvores, poemas, histórias. você e eu.
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